Em nome do amor
O amor é constantemente chamado para justificar o egoísmo, a falta de carácter, a traição, a leviandade. Em nome do amor, mente-se. Em nome do amor, agride-se. Em nome do amor, mata-se.
O amor é usado para cobrar, para exigir, para subjugar, para torturar, para pedir.
Amam, mas ludibriam, desculpando-se com o medo de perder o objecto do seu amor...
Amam, mas magoam, maltratam, humilham, tentando depois convencer-se que é de tanto amarem, que perdem a razão.
O amor está, no entanto, bem distante de quem mente, de quem tem medo, de quem é egoísta.
Amam, mas ludibriam, desculpando-se com o medo de perder o objecto do seu amor...
Amam, mas magoam, maltratam, humilham, tentando depois convencer-se que é de tanto amarem, que perdem a razão.
O amor está, no entanto, bem distante de quem mente, de quem tem medo, de quem é egoísta.
Só a cobardia encontra forma para se justificar com o amor.
Ele é impaciente para se dar, persistente em se oferecer, incansável em tentar, corajoso para conseguir, inconsequente em lutar.
Dizem que é amor, mas a quem amam... não é mais do que a si mesmos.
Dizem que é amor, mas a quem amam... não é mais do que a si mesmos.
O amor tem as costas largas.
Evasão
Mudar as fases da Lua, as estações do ano, ou o trajecto das estrelas cadentes, não depende de mim.
Não consegui evitar que morresse a árvore de que eu sou o fruto, que esmorecesse o amor que alimentava a minha vida, nem que se afastasse a amizade que dava um sorriso ao meu olhar.
São meus companheiros a solidão cercada de gente e o silêncio entre dois gritos.
O pôr-do-sol é o meu leito e o céu estrelado, a colcha que me protege.
Os meus sonhos procuram horizontes longínquos e asas imensas que me levem sobre o mar.
Não consegui evitar que morresse a árvore de que eu sou o fruto, que esmorecesse o amor que alimentava a minha vida, nem que se afastasse a amizade que dava um sorriso ao meu olhar.
São meus companheiros a solidão cercada de gente e o silêncio entre dois gritos.
O pôr-do-sol é o meu leito e o céu estrelado, a colcha que me protege.
Os meus sonhos procuram horizontes longínquos e asas imensas que me levem sobre o mar.
Como nos vemos... como somos.
Recebi há uns dias este pequeno texto e porque o acho engraçado, não resisti a transcrevê-lo. Aqui fica:
"Já aconteceu, ao olhar pessoas da sua idade, você pensar:
-Não posso estar assim tão velho(a)!!!!
Veja o que conta uma amiga:
- Estava sentada na sala de espera, para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei o diploma estava pendurado na parede.
Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome.
Era da minha classe do colégio, uns 30 anos atrás, e eu perguntava:
Veja o que conta uma amiga:
- Estava sentada na sala de espera, para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei o diploma estava pendurado na parede.
Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome.
Era da minha classe do colégio, uns 30 anos atrás, e eu perguntava:
Poderá ser o mesmo rapaz com quem eu namorei naquela época?
Quando entrei na sala de atendimento, logo afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado, era demasiadamente velho para ter sido o meu amor secreto.
Depois de ter examinado os meus dentes, perguntei-lhe se ele tinha estudado no Colégio Sacré Coeur.
- Sim, respondeu-me.
- Quando se formou? perguntei.
- 1965. Porque pergunta? respondeu.
- É que... bem... você era da minha classe, exclamei.
E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, filho de uma decaída, me perguntou:
- A senhora era professora de quê?"
Quando entrei na sala de atendimento, logo afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado, era demasiadamente velho para ter sido o meu amor secreto.
Depois de ter examinado os meus dentes, perguntei-lhe se ele tinha estudado no Colégio Sacré Coeur.
- Sim, respondeu-me.
- Quando se formou? perguntei.
- 1965. Porque pergunta? respondeu.
- É que... bem... você era da minha classe, exclamei.
E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, filho de uma decaída, me perguntou:
- A senhora era professora de quê?"
Saber
Gordura transparente e viscosa.
Eu sentia que não gostava de "mão de vaca", mas toda a gente dizia que apreciava, que era muito bom e acabei por pensar que talvez eu estivesse enganada.
Às vezes, os nossos gostos alimentares mudam com o passar dos anos. Eu convenci-me que talvez aquela relutância, fosse apenas uma mania da infância.
De todas as vezes que iamos almoçar e os meus companheiros de restaurante pediam o conhecido prato, eu pensava no assunto. O aspecto era apetitoso, o molho grosso, o cheiro normal. Mas adiava sempre a prova que me recomendavam.
Hoje fomos todos almoçar. Os pratos do dia eram: Sardinhas assadas e mão de vaca. Sardinhas não como, por causa do cheiro, das espinhas e da estragação que faço... além da fome que me assalta meia hora depois de almoçar.
Todos ficaram alegres com a ideia do grão com mão de vaca. Vieram para a mesa caçarolas de barro com molho a deitar por fora e o frasco do piri-piri.
Picante, detesto.
Deitei um pouco do grão no meio do prato e quando pensei deitar a segunda colherada, reparei que a carne era toda transparente e viscosa, cortada em tiras que se enrolavam nas pontas, sem parecer carne, parecendo antes pele.
Tirei só um bocadinho. Apesar de pequeno, ainda o cortei ao meio.
Levei à boca um grão e outro. Os meus lábios ficaram a colar-se, peganhentos.
Aguentei, sempre a pensar que era mania minha...
Quando arranjei coragem para meter na boca o primeiro pedacinho, já tinha ouvido dez vezes a mesma pergunta: "Então não come?"
Aquela gordura mole e gelatinosa escorregou de um lado para o outro, primeiro no prato, depois, no garfo e por fim, na minha boca. Engoli depressa, para evitar cuspir...
Tive a certeza, ao 3º arrepio, que não gosto mesmo de mão de vaca.
Estive 20 anos sem comer, vou estar outros tantos de novo, se viver!
Às vezes, os nossos gostos alimentares mudam com o passar dos anos. Eu convenci-me que talvez aquela relutância, fosse apenas uma mania da infância.
De todas as vezes que iamos almoçar e os meus companheiros de restaurante pediam o conhecido prato, eu pensava no assunto. O aspecto era apetitoso, o molho grosso, o cheiro normal. Mas adiava sempre a prova que me recomendavam.
Hoje fomos todos almoçar. Os pratos do dia eram: Sardinhas assadas e mão de vaca. Sardinhas não como, por causa do cheiro, das espinhas e da estragação que faço... além da fome que me assalta meia hora depois de almoçar.
Todos ficaram alegres com a ideia do grão com mão de vaca. Vieram para a mesa caçarolas de barro com molho a deitar por fora e o frasco do piri-piri.
Picante, detesto.
Deitei um pouco do grão no meio do prato e quando pensei deitar a segunda colherada, reparei que a carne era toda transparente e viscosa, cortada em tiras que se enrolavam nas pontas, sem parecer carne, parecendo antes pele.
Tirei só um bocadinho. Apesar de pequeno, ainda o cortei ao meio.
Levei à boca um grão e outro. Os meus lábios ficaram a colar-se, peganhentos.
Aguentei, sempre a pensar que era mania minha...
Quando arranjei coragem para meter na boca o primeiro pedacinho, já tinha ouvido dez vezes a mesma pergunta: "Então não come?"
Aquela gordura mole e gelatinosa escorregou de um lado para o outro, primeiro no prato, depois, no garfo e por fim, na minha boca. Engoli depressa, para evitar cuspir...
Tive a certeza, ao 3º arrepio, que não gosto mesmo de mão de vaca.
Estive 20 anos sem comer, vou estar outros tantos de novo, se viver!
Adeus a Paul.
No sábado passado, dia 27 de Setembro, desapareceu Paul Newman.
A última vez que o vi representar, foi no filme "As palavras que nunca te direi".
Já mais velho, continuava cheio de classe.
Era um dos meus actores preferidos. Era bonito e tinha um ar muito romântico.
Uma vez fiquei indignada por ler que a mulher, companheira de toda a sua vida, afirmara numa entrevista que as fãs do marido desconheciam como ele ressonava.
Fez-me sonhar com um namorado com o seu aspecto e tornou maravilhosas muitas horas da minha vida.
Foi mais uma vítima de cancro... é um "soma e segue".
Espero que tenha à sua espera uma nuvem bem fofinha, com vista para um lago de águas limpidas, árvores frondosas e verdes relvados, onde possa conversar com os amigos que o precederam.
Gentileza com uma mamã!
Ao ler um artigo sobre a falta de civismo dos portugueses, lembrei-me dum episódio engraçado que se passou comigo, quando estava grávida da minha filha.
Costumava ir de autocarro para o meu trabalho, atravessando uma zona de Lisboa muito movimentada.
As pessoas apertavam-se nos transportes públicos, sendo penoso para todos aquele percurso de pára/arranca, que atirava uns contra os outros, fazendo dores musculares nas pernas para se equilibrarem em pé.
Eu estava no fim da gravidez e já bastante "barril", embora me mexesse muito bem.
Entrei no autocarro cheio e ninguém me deu o lugar. Fiquei em pé, perto do motorista, que quando viu a minha barrigona me perguntou, pelo espelho retrovisor, se eu queria sentar-me.
Eu respondi que não valia a pena, pois sairia daí a 3 ou 4 paragens.
Não houve troca de muitas palavras, apenas de alguns gestos e com a azáfama das entradas e saídas, aquele comentário ficou apenas entre nós dois.
Eu agarrava-me, com quanta força tinha, ao varão perto da porta e mesmo assim era projectada 2 passos para a frente e para trás em cada travagem.
A dada altura, uma pessoa lembrou-se de dizer :
-Há uns lugares reservados para as grávidas, não vêem que a senhora pode bater com a barriguinha ou desequilibrar-se e cair?
Os que ocupavam os lugares destinados a casos como o meu, faziam-se distraídos.
Costumava ir de autocarro para o meu trabalho, atravessando uma zona de Lisboa muito movimentada.
As pessoas apertavam-se nos transportes públicos, sendo penoso para todos aquele percurso de pára/arranca, que atirava uns contra os outros, fazendo dores musculares nas pernas para se equilibrarem em pé.
Eu estava no fim da gravidez e já bastante "barril", embora me mexesse muito bem.
Entrei no autocarro cheio e ninguém me deu o lugar. Fiquei em pé, perto do motorista, que quando viu a minha barrigona me perguntou, pelo espelho retrovisor, se eu queria sentar-me.
Eu respondi que não valia a pena, pois sairia daí a 3 ou 4 paragens.
Não houve troca de muitas palavras, apenas de alguns gestos e com a azáfama das entradas e saídas, aquele comentário ficou apenas entre nós dois.
Eu agarrava-me, com quanta força tinha, ao varão perto da porta e mesmo assim era projectada 2 passos para a frente e para trás em cada travagem.
A dada altura, uma pessoa lembrou-se de dizer :
-Há uns lugares reservados para as grávidas, não vêem que a senhora pode bater com a barriguinha ou desequilibrar-se e cair?
Os que ocupavam os lugares destinados a casos como o meu, faziam-se distraídos.
-Se está com pena da senhora, dê-lhe o seu lugar-dizia um homem que ia noutro banco.
-Olha o parvo! Quem lhe pediu opinião? Não vê ali a placa a dizer a quem se devem dar aqueles lugares? Aqueles lugares são para pessoas como esta senhora. Não sabe ler?
-Parva é você! Querem lá ver! Então se está com pena da senhora, levante o rabo e dê-lhe o seu lugar. Coitadas das mulheres da cidade!!! Na minha terra, vão trabalhar para o campo até à hora de terem os filhos e não morrem. No dia seguinte já estão finas.
-Você é um bronco das berças. Que matarroano... Então não vê o perigo que é uma pancada com a barriga no varão?É bronco e estúpido... e mal educado, por se meter nas conversas alheias.
-Você é que é bronca. Está-me a ofender, sua ordinária.
-Ordinária é a sua mãe!
-Ele tem razão, dizia outro, há mulheres que se fartam de trabalhar até ao momento de terem os filhos e têem os garotos na mesma. Estas aqui são muito finas!
-E que tem isso a ver com o que se está aqui a passar? Não vêm o perigo? Cambada de anormais!
-É isso mesmo. Esta cambada que não respeita nada nem ninguém havia de ser posta dos autocarros para fora. Mas só aparecem os fiscais quando não são precisos-apoiava outra mais lá atrás.
-Mas quais cambada, quais quê! Você é muito respeitadora, é... levantar esse traseiro do banco, é que está quieto! Um gajo vê cada uma!
-Olhem para este alarveirão, está habituado a tratar a mulher como se fosse uma mula.
Eu estava calada, o motorista, sempre atento ao trânsito, olhava para mim de vez em quando, mas continuava sem dizer nada e os que iam nos lugares reservados, calados iam.
Todo o restante autocarro era uma guerra de palavras, um arremeço de ofensas e insultos, um subir de tom a cada frase, já não se entendendo nada do que diziam, tal era a gritaria. A cada minuto os "piropos" eram mais criativos e acompanhados de "gafanhotos" que saltavam das bocas a espumar de raiva.
Eu vi que se aproximava a minha paragem e toquei a avisar o motorista. Ele parou e abriu a porta. Eu saí. Ele sorriu e abanou a cabeça, discordando da escaramuça que continuava a crescer lá dentro.
Já o autocarro ía ao fundo da rua e ainda eu via os passageiros gesticular e crescer uns para os outros, em promessa de empurrões, socos e pontapés.
-Olha o parvo! Quem lhe pediu opinião? Não vê ali a placa a dizer a quem se devem dar aqueles lugares? Aqueles lugares são para pessoas como esta senhora. Não sabe ler?
-Parva é você! Querem lá ver! Então se está com pena da senhora, levante o rabo e dê-lhe o seu lugar. Coitadas das mulheres da cidade!!! Na minha terra, vão trabalhar para o campo até à hora de terem os filhos e não morrem. No dia seguinte já estão finas.
-Você é um bronco das berças. Que matarroano... Então não vê o perigo que é uma pancada com a barriga no varão?É bronco e estúpido... e mal educado, por se meter nas conversas alheias.
-Você é que é bronca. Está-me a ofender, sua ordinária.
-Ordinária é a sua mãe!
-Ele tem razão, dizia outro, há mulheres que se fartam de trabalhar até ao momento de terem os filhos e têem os garotos na mesma. Estas aqui são muito finas!
-E que tem isso a ver com o que se está aqui a passar? Não vêm o perigo? Cambada de anormais!
-É isso mesmo. Esta cambada que não respeita nada nem ninguém havia de ser posta dos autocarros para fora. Mas só aparecem os fiscais quando não são precisos-apoiava outra mais lá atrás.
-Mas quais cambada, quais quê! Você é muito respeitadora, é... levantar esse traseiro do banco, é que está quieto! Um gajo vê cada uma!
-Olhem para este alarveirão, está habituado a tratar a mulher como se fosse uma mula.
Eu estava calada, o motorista, sempre atento ao trânsito, olhava para mim de vez em quando, mas continuava sem dizer nada e os que iam nos lugares reservados, calados iam.
Todo o restante autocarro era uma guerra de palavras, um arremeço de ofensas e insultos, um subir de tom a cada frase, já não se entendendo nada do que diziam, tal era a gritaria. A cada minuto os "piropos" eram mais criativos e acompanhados de "gafanhotos" que saltavam das bocas a espumar de raiva.
Eu vi que se aproximava a minha paragem e toquei a avisar o motorista. Ele parou e abriu a porta. Eu saí. Ele sorriu e abanou a cabeça, discordando da escaramuça que continuava a crescer lá dentro.
Já o autocarro ía ao fundo da rua e ainda eu via os passageiros gesticular e crescer uns para os outros, em promessa de empurrões, socos e pontapés.
Na rua em que caminhava, as pessoas admiravam-se de me ver rir, indo sozinha.
De certo pensavam que eu estava louca!
Jogos Paralímpicos

Se todos admirámos as capacidades e o esforço dos atletas nos jogos olímpicos, ficamos agora pregados ao ecran, quando vemos os atletas que vão competir em Pequim.

A alegria, a coragem e a força de vontade vencem todas as limitações físicas.
O esforço e a persistência fazem parte do dia a dia e as vitórias chegam em cada obstáculo ultrapassado.
Quando me queixo e penso desistir por motivos tão somenos, estou a chorar de barriga cheia.
Comovo-me e sinto-me pequena.
Tomás
Tenho 4 dentes em cima e 3, quase 4, em baixo.
Gatinho em excesso de velocidade por todo o lado, sem temer os bicos das cadeiras, dos armários, nem o chão frio ou molhado!
Já dei 2 quedas em que chorei... mas passou logo!
Chamo a "nana" que é a Francisca, a minha mana, digo às vezes "mãe" e chamo o miau.
Acham graça quando lhes faço a vontade e bato palminhas, digo onde põe a pitinha o ovo, faço adeus, dou beijinhos e festinhas. Coisas simples!
Gosto muito de pão (também é só o que me dão para me entreter enquanto lancham).
Adoro banho (na banheira ou na piscina... tanto faz). Canto e danço (abano-me com algum ritmo) se ouço música. Disso tenho experiência, pois ouvi muita música na barriguinha da mãe.
O meu canal preferido, por enquanto, é o Baby tv. De vez em quando vejo o que a mana prefere (Morangos com açucar, se bem me lembro), mas é muita confusão para o meu gosto!
Dormir, hum... é óptimo, mas na minha cama!
Detesto vestir-me, esperar pela papa e olhar para o chão, quando estou preso na cadeira...
Detesto vestir-me, esperar pela papa e olhar para o chão, quando estou preso na cadeira...
Não tenho dado muito trabalho aos meus pais, acho eu.
Sinto-me muito bem com eles e parece que eles também estão a gostar de mim.
Pela forma como o meu pai me olha, acho que vou poder vestir as suas roupas (aquelas mais fixes... de marca) e usar o carro, à noite, para levar as minhas amigas à discoteca!
Não percebi nada foi da festa que me fizeram... espetaram 1 vela acesa (dizem que é perigoso!) no bolo, cantaram todos desafinados, apagaram a vela e depois aplaudiram-se a eles próprios!
Bem, há umas coisitas que não entendo, mas ainda nem entrei para o jardim escola, não é?
Pior a emenda, que o soneto!
Recebi um comentário ao post sobre Salvador, Brasil, que transcrevo mais à frente.
Emenda a forma como escrevi Baía. Penso que "aportuguesei " o nome daquele Estado.
Na verdade, sinto que a pouco e pouco, a língua mãe passará cada vez mais a ser emendada.
Talvez culpa das telenovelas, que nos põem a repetir palavras que nos soam bem, a que achamos graça.
Talvez da quantidade de pessoas com sotaque, que nos atendem em todo o género de casa comercial.
Talvez do valor que damos a tudo o que é de fora e do pouco que estimamos o que é nosso.
De quem é a culpa, não sei. Sei que em vez de se adaptar quem chega (como nos adaptámos quando emigrámos e passámos a dizer "fenêtres", "maison", "donc", no meio das frases em português, sem quase darmos por isso!) nos adaptamos em nossa própria casa.
Toda a vida ouvi dizer "bicha"... Agora temos de dizer "fila".
Era norma atender o telefone com um "está?"... Agora ouço constantemente um "alô?".
Sempre ouvi pedir um "sumo"... Agora ouço pedir um "suco".
E palavras como "presepada", "rodísio", "fazer as unhas", "não estou nem aí", "oi gente!", "carona", "legal", "turma", "cafona", etc., começam a entrar no dia a dia da nossa linguagem, para a alegrar, dizem uns, para lhe dar um falso ar de modernidade (diria de cultura televisiva e de bar nocturno), dizem outros, mas sempre como colagem de quem adopta qualquer coisa, menosprezando o que é seu.
Eu escrevo Baía, como escrevo Nova Iorque, Amesterdão, Bruxelas, Moscovo, etc.
Aceito e agradeço a chamada de atenção, mas aproveito para recomendar (já agora!) a revisão da gramática portuguesa, a gramática da língua que se fala no Brasil, uma vez que as regras devem ser respeitadas.
Passo a transcrever:
.
"Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "Salvador da Baía":
.
Sou bahiana, de perto de salvador e gostaria de lhe dizer que se escreve BAHIA, e não BAÍA, que é um tipo de formação geografica..o nome do estado deriva disto mas é BAHIA"
.
Eu diria à moda da minha terra: Pior a emenda, que o soneto!
Talento?
Mal viu a mãe fazer uns testes com a nova máquina fotográfica, que me ofereceu no dia do meu aniversário, deixou a brincadeira em que se entretinha e a sua criatividade entrou em acção.
Com uma mola da roupa prendeu o vestido atrás, na cintura, para que ficasse justo.
Com a tátá (fralda de pano macio que o irmão pôe na cara quando quer adormecer), fez parecer que já tem mamocas.
Calçou os meus sapatos e desencantou na garagem um velho saco de Verão, com que completou o modelo.
Ninguém lhe diz o que há-de fazer.
Ela brinca, sem nunca perder de vista a personagem que imagina. Ou é a mãe das suas bonecas, ou a médica a auscultar os seus doentes, ou dona de casa que conversa com a vizinha...
Dizem que tudo se aprende e que é o trabalho e o estudo que fazem com que se seja escritor, pintor, actor ou outra coisa qualquer.
Porque é que eu fico aflita se viram a câmara para mim e ela, pelo contrário, se sente logo motivada para criar?
Até quando nos pede qualquer coisa, quando nos conta um episódio, ou choraminga por alguma
contrariedade, toda ela é expressão, gesto, representação.
Imita as vozes que ouve, com a maior facilidade.
Nada a intimida, parecendo que quanto mais pessoas olham para ela, mais se inspira.
Muito observadora, retira o essencial das situações, para as reproduzir a seguir, de uma forma que nos deixa espantados.
Será isto o talento?
Poema em linha recta
"Nunca conheci ninguém que tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
.................................................................................................
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe-todos eles príncipes-na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse, não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?"
Fernando Pessoa
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
.................................................................................................
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe-todos eles príncipes-na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse, não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?"
Fernando Pessoa
Contar ou descontar anos.
Tinha jurado que não voltaria a fazer anos! 

Mas todos os meses de Junho se festeja o S. João e há quem se lembre que nasci na véspera deste Santo Popular.
As minhas amigas mais novas, dão-me os parabéns com um grande sorriso.
Agradeço as felicitações, claro, mas lembro-as que a doença de que sofro e me provoca rugas, pneus e achaques, é contagiosa e já pandemia sem vacina à vista...
Decidi este ano que não vou continuar a somar aniversários. A partir de agora, um ano será somado, outro ano, subtraído.
Para sabermos chegado o nosso fim, não era preciso ficarmos doentes, perdermos os dentes, ver enfraquecidos os cabelos, não termos forças para nos levantarmos do sofá ou sair do banco detrás do carro dos filhos, esquecermo-nos de tudo o que não poderíamos esquecer (onde arrecadámos as chaves de casa, por exemplo), enfim... essas coisas que começam a acontecer comigo e eu achava que só acontecia aos outros.
Bastava amadurecermos e morrermos, sem fragilidades e incapacidades.
Ainda por cima, o nosso corpo anda mais depressa para o fim, do que a nossa mente, o que é uma tortura.
Ainda por cima, o nosso corpo anda mais depressa para o fim, do que a nossa mente, o que é uma tortura.
Achamos sempre que os outros nos vêem como nós nos sentimos e não como nós já parecemos.
Mas pronto! Eu que tenho força de vontade para dar e vender (só me falta para fazer regime) não vou permitir que continue a incomodar-me estar a envelhecer no corpo, numa proporção diferente do espírito. Acabou.
Olham para mim e acham que não sou capaz de tomar decisões, de ir dançar uma noite inteira, de me apaixonar, de andar de mãos dadas e rir de coisas fúteis, de apreciar um homem com charme... qual quê? As rugas que tenho nos cantos dos olhos, não me tapam os mesmos!
Olham para mim e acham que não sou capaz de tomar decisões, de ir dançar uma noite inteira, de me apaixonar, de andar de mãos dadas e rir de coisas fúteis, de apreciar um homem com charme... qual quê? As rugas que tenho nos cantos dos olhos, não me tapam os mesmos!
Não danço hip-hop, porque me dá mais prazer dividir os passos com um par que me aconchegue. Não me apaixono com tanta frequência, porque não encontro homens que me despertem admiração e me surpreendam.
Estou mais exigente, embora ouça com frequência que as mulheres da minha idade já se contentam com qualquer coisa! Puro desconhecimento de que os anos nos tornam especialistas e não amadores.
O meu coração continua a bater e os meus sonhos tomam forma todos os dias!
Se de vez em quando me deixo dormir no sofá, é porque os programas de TV são entediantes, medíocres e repetitivos. O mal não está em mim, mas na sua incapacidade para me despertarem interesse.
O meu gosto foi-se refinando com o tempo e agora não é qualquer história de faca e alguidar que me consegue provocar emoção.
Fazer umas plásticas? Se eu visse que elas tornavam as pessoas inteligentes, cultas, sensíveis, responsáveis, conscienciosas, sábias, ia já fazer uma ou duas ou as necessárias e possíveis.
O pior é que as pessoas que não têm os lábios murchos, o pescoço engelhado e a cintura grossa, por via de umas quantas intervenções cirúrgicas, não melhoram como seres humanos.
E quando tiverem 80 anos, o seu organismo terá 80 anos, embora os seus lábios de silicone tenham apenas 30, os seus seios cortados, aparados, enrijecidos tenham só 20, a sua pele esfoliada, esfolada e enxertada tenha no máximo 40.
E quando tiverem 80 anos, o seu organismo terá 80 anos, embora os seus lábios de silicone tenham apenas 30, os seus seios cortados, aparados, enrijecidos tenham só 20, a sua pele esfoliada, esfolada e enxertada tenha no máximo 40.
Mas... a bexiga terá 80 anos (ah, pois!), assim como as articulações, as artérias, os olhos e os ouvidos...
Por isso, meus amigos, felicitem-me mas façam só o favor de não me perguntar a idade.
A contagem do tempo foi inventada pelo homem e a divisão em anos, meses, dias e horas, nada tem a ver com a capacidade de criar e de se renovar. Há jovens muito velhos...
Dêem-me os anos que aparento e que eu viva segundo a idade com que me sinto.
O resto, a natureza se encarrega de arrumar no seu devido lugar.
Ela, além de sábia, é justa. Não deixa ninguém para trás.
Uns comem, outros... olham.
"A caminhar assim, cada vez temos menos dinheiro no bolso", diz um agricultor na TV.
Novo Código do Trabalho
Petróleo, gasóleo, gasolina, gaz.
Milhões de barris por dia.
Protestos dos camionistas, dos taxistas, dos pescadores, dos agricultores...
Flexibilização dos horários.
Precaridade do trabalho
Contratos com prazos
Prazos de anos, de meses... horas que se somam, que se descontam.
Bolsa de valores. Cotação.
Despedimentos
Lucros de milhões por hora.
Dólares que valem e que desvalem.
Todos estes palavrões enchem as notícias e os pobres agricultores só sabem que se esforçam até rebentarem e que cada vez ganham menos, cada vez têm menos dinheiro para viver.
Nascem campos de golfe, campos de futebol, campos de ténis, campos de lazer... destinos de sonho para se ocuparem os tempos livres de quem comanda este mundo de palavrões.
Qualquer dia, quem não tem tempos livres, come relva, bolas perdidas e enche os olhos (e o estômago) nas ementas expostas nos restaurantes de luxo.
É como o garoto, que chegou a casa e disse:
-Mãe, pão com queijo é tão bom!
Novo Código do Trabalho
Petróleo, gasóleo, gasolina, gaz.
Milhões de barris por dia.
Protestos dos camionistas, dos taxistas, dos pescadores, dos agricultores...
Flexibilização dos horários.
Precaridade do trabalho
Contratos com prazos
Prazos de anos, de meses... horas que se somam, que se descontam.
Bolsa de valores. Cotação.
Despedimentos
Lucros de milhões por hora.
Dólares que valem e que desvalem.
Todos estes palavrões enchem as notícias e os pobres agricultores só sabem que se esforçam até rebentarem e que cada vez ganham menos, cada vez têm menos dinheiro para viver.
Nascem campos de golfe, campos de futebol, campos de ténis, campos de lazer... destinos de sonho para se ocuparem os tempos livres de quem comanda este mundo de palavrões.
Qualquer dia, quem não tem tempos livres, come relva, bolas perdidas e enche os olhos (e o estômago) nas ementas expostas nos restaurantes de luxo.
É como o garoto, que chegou a casa e disse:
-Mãe, pão com queijo é tão bom!
-Como é que sabes, filho? Já comeste?
-Não, mas vi ali um menino a comer.
-Não, mas vi ali um menino a comer.
a luz dos anos

Meia-noite. Apenas um dia mais. E o respeito pelo teu descanso contenta-se em lembrar-me que o dia não é mais que um dia doce.
De onde vem este néctar - será perfume? - não sou capaz de te dizer.
De memórias. De memórias simples. De memórias simplesmente doces.
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Outros ensinaram-me letras, palavras, frases, pontuação... Tu ensinaste-me a escrever.
Talvez não me tenha lembrado disso no dia em que me chamaram escritor.
Como havia de evocar uma memória tão simplesmente doce...?
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Outros deram-me livros, versos, rimas... Tu encaminhaste-me a ler.
Talvez não me tenha lembrado disso no dia em que me disseram ser poeta.
Que tinha isso a ver com memórias simplesmente doces...?
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Outros mostraram-me pautas e claves e colcheias... Tu deste-me a perceber a melodia.
Talvez não me tenha ocorrido quando me graduaram como músico.
Talvez não me tenha ocorrido quando me graduaram como músico.
Como podiam os tímpanos abrir ao coração memórias tão simplesmente doces...?
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Hoje, à meia-noite, o sol descobriu-me que há sempre um dia em que sabemos que a Vida é afinal a feliz coincidência de memórias simples - tão simples como a constância do sorriso que nos fez correr dos olhos um mar de água doce.

Hoje, à meia-noite, o sol descobriu-me que há sempre um dia em que sabemos que a Vida é afinal a feliz coincidência de memórias simples - tão simples como a constância do sorriso que nos fez correr dos olhos um mar de água doce.
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Dou-me a mim mesmo os Parabéns: porque um Sol em cada 365 me celebra uma companhia tão luminosamente simples - uma Luz tão simplesmente doce.
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Um abraço simples e doce,
do teu mano.
100 anos... 100000 glórias
Qualquer Música
Qualquer música, ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!
Qualquer música- guitarra,
Viola, harmónio, realejo...
Um canto que se desgarra...
Um sonho em que nada vejo...
Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida...
Que eu não sinta o coração!
Fernando Pessoa
Qualquer música, ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!
Qualquer música- guitarra,
Viola, harmónio, realejo...
Um canto que se desgarra...
Um sonho em que nada vejo...
Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida...
Que eu não sinta o coração!
Fernando Pessoa
Aos amigos
I believe I can fly
Apesar dos seus nove anos, utiliza já uma linguagem adequada, tanto ao convite, como ao tema.
- Avó, gostava muito que fosses assistir à nossa exibição na Aula Magna, no próximo sábado. A Ana é a solista e eu faço parte do coro. Se conseguires vir, vou ficar muito feliz.
Eu agradeci e pedi-lhe que me cantasse um bocadinho ao telefone.
Ela concordou e cantou maravilhosamente o refrão "I believe I can fly", deixando-me com as lágrimas nos olhos.
Está prestes a entrar no liceu (como dizem lá no colégio e como diziam no meu tempo).Gosta muito de escrever e de desenhar, mas brincar é a sua actividade preferida... não fora isso e quase nos esquecíamos que ainda é uma criança.
Mostra-nos como cantam os anjos, Francisca.
E se eu não puder estar presente fisicamente, estou de certeza em pensamento e com o coração a rebentar de amor e orgulho.
Tó-nô

Parabéns To-nô.
Parabéns pelo teu aniversário. Cada cabelo branco é um pouco mais de sabedoria.
Que seja mais um ano de coisas boas que te encham a vida de alegria.
Parabéns pela contribuição que tens dado ao Fundão com a tua paixão pela música, em especial pela música clássica. Aproveita o Fundão e não só...
Parabéns pela solidariedade para com os que a ti recorrem .
Parabéns pelo espírito de sacrifício e de amor incondicional pela tua família e pelos teus amigos. Continuas a ser a alma, o apoio e a inspiração de todos nós.
Parabéns pelo homem que és, melhorado cada dia que passa com a humildade de quereres aprender e o teu desejo constante de crescer. Os homens bons, não nascem logo grandes.
Só desejamos merecer-te, na medida em que conseguimos aprender com o teu exemplo.
Verde e Rubro
A Bandeira Nacional está por todo o lado.Nas janelas, expostas como colchas, que engalanavam as ruas na passagem da procissão do santo padroeiro.
Nas varandas, hasteadas como se assinalassem dia especial, em edifício do Estado.
Nos carros, que circulam nas estradas em correria indiferente à paisagem.
No cimo das árvores, nos quintais, como se mostrassem um campo especial de manobras militares.
Lá está a bandeira verde e rubra, que só começou a ser desfraldada desta forma efusiva, por iniciativa de um brasileiro à frente da selecção portuguesa de futebol .
Já a vi com as cores ao contrário, com apenas 3 e 4 quinas, com um desenho esquisito no centro... (os modelos enviados para a China não seriam bem claros, ou os chineses entenderam que a parte central não passava de enfeite sem importância e pintavam-na conforme o gosto de cada um).
Vendem-se aos milhares nos supermercados, enroladas dentro de caixas de papelão. Nas lojas dos 300, em sacos de plástico transparentes, amontoadas junto dos panos da loiça e turcos para fins variados. Na Galinha Gorda, perto dos detergentes e chinelos de plástico.
Há quem a use como lenço a dar um nozinho no pescoço, a dar um nó na alsa da carteira, como forro do apoio de cabeça no assento do carro, como cortina a forrar o vidro traseiro, como catavento na antena do rádio.
Enfim. Pobre símbolo da nossa Nação!
Quando se ouvia o Hino Nacional e se olhava o hastear da Bandeira, sentíamos a obrigação de ter as costas direitas, o rosto sério e o coração patriótico a bater com ritmo acelerado.
Agora, carros com metade pintado de verde e
metade encarnado, com as fotos dos jogadores estampadas, tocam o Hino Nacional alto e bom som, entre várias cervejas e saquinhos de tremoços, à porta do Palácio de Belém, enquanto esperam que a Selecção Portuguesa chegue para cumprimentar o Presidente da República e parta para disputar o Campeonato Europeu na Suíça.
metade encarnado, com as fotos dos jogadores estampadas, tocam o Hino Nacional alto e bom som, entre várias cervejas e saquinhos de tremoços, à porta do Palácio de Belém, enquanto esperam que a Selecção Portuguesa chegue para cumprimentar o Presidente da República e parta para disputar o Campeonato Europeu na Suíça.E eu, sem perceber nada de futebol, nada de hinos, nada de símbolos da Nação, acho que tudo isto é um tanto exagerado, porque até à chegada ao Fundão, vi a Gardunha vestida de verde, na folhagem das cerejeiras e vermelho, na quantidade imensa de cerejas maduras, que vergavam as suas ramadas.
Então, concluí que a Natureza também é adepta de futebol e torce pela Selecção de Portugal.
Desporto Rei
O povo português festeja as vitórias no futebol com verdadeiro entusiasmo.Apreciam as casas, os móveis, os carros, as jóias, os hotéis, as mulheres dos jogadores.
Dizem à boca cheia e com verdadeiro orgulho, o que eles ganham por dia, por anúncio publicitário, por golo, por entrevista, por fotografia.
Conhecem o Mister, a família do Mister, os gostos do Mister, a vida do Mister.
Vibram com o campeonato nacional, com o europeu, com o mundial, com a liga, com a taça e com a taça das taças.
Saltam com os cartões amarelos, gritam com os vermelhos e insultam a mãe do árbitro, que é a culpada de todas as desgraças, sempre.
Discutem o canto, o fora de jogo, o penalty e o goooolo.
Votam o bota de ouro, o bola de ouro, o jogador do ano, o melhor jogador do mundo, o maior marcador, o melhor golo.
Compram a camisola do clube, o cachecol da selecção, a bandeira nacional, o cartão de sócio e de apoiante.
Aplaudem as jogadas bonitas, rejubilam com as vitórias, sofrem com as derrotas.
Vibram com o campeonato nacional, com o europeu, com o mundial, com a liga, com a taça e com a taça das taças.
Saltam com os cartões amarelos, gritam com os vermelhos e insultam a mãe do árbitro, que é a culpada de todas as desgraças, sempre.
Discutem o canto, o fora de jogo, o penalty e o goooolo.
Votam o bota de ouro, o bola de ouro, o jogador do ano, o melhor jogador do mundo, o maior marcador, o melhor golo.
Compram a camisola do clube, o cachecol da selecção, a bandeira nacional, o cartão de sócio e de apoiante.
Aplaudem as jogadas bonitas, rejubilam com as vitórias, sofrem com as derrotas.
Não sabem a letra do Hino, mas conseguem trautear a música...
Esquecem a crise, o preço do gasóleo, do pão, da carne, do peixe, da roupa, do calçado, das propinas, da dívida da casa e do empréstimo que fizeram no banco. Arranjam paciência para a espera da operação às cataratas ou à vesícula. Não sofrem com o facto de terem feito um curso superior e só conseguirem trabalho de caixa em supermercado. De não poderem fazer férias na praia, cura nas termas, de não poderem comprar o tal CD ou o tal livro.
Até se sentem bem no seu quarto com serventia de cozinha e casa de banho, de só poderem usar o Metro para ir para o trabalho e conseguirem pagar o almoço na tasca da esquina.
A política, os políticos, as leis, os impostos, as taxas, as mensalidades, os juros, a luz, a água, o gaz, deixam de ser o centro das preocupações.
Esquecem a crise, o preço do gasóleo, do pão, da carne, do peixe, da roupa, do calçado, das propinas, da dívida da casa e do empréstimo que fizeram no banco. Arranjam paciência para a espera da operação às cataratas ou à vesícula. Não sofrem com o facto de terem feito um curso superior e só conseguirem trabalho de caixa em supermercado. De não poderem fazer férias na praia, cura nas termas, de não poderem comprar o tal CD ou o tal livro.
Até se sentem bem no seu quarto com serventia de cozinha e casa de banho, de só poderem usar o Metro para ir para o trabalho e conseguirem pagar o almoço na tasca da esquina.A política, os políticos, as leis, os impostos, as taxas, as mensalidades, os juros, a luz, a água, o gaz, deixam de ser o centro das preocupações.
Só interessa o Nani, o João Pinto, o Quaresma, o Ronaldo, o Nuno Gomes, o Miguel Veloso, o Ricardo.
O futebol faz maravilhas. O futebol é um milagre. O futebol é a vida.
Viva o futebol!
Viva o futebol!
(A Lili disse-me que o João Pinto já foi... pelo engano, peço desculpa. A verdade é que ouço falar em Pinto constantemente nas notícias ligadas ao futebol. Este, o João, já era... outros ainda serão, até deixarem de ser, também. Mas está a emenda feita. Obrigada Lili.)
O ouro negro
E se em vez de ser o boicote dos transportadores, fosse o fim do petróleo?
Se os poços secassem, se nada saísse das bombas extractoras, se uns atrás dos outros fechassem os campos de exploração do produto que faz andar o mundo?
Como encararíamos mudar radicalmente a nossa vida?
Como iríamos trabalhar? Parar o nosso carro, sim... mas que transporte poderíamos utilizar?A bicicleta, o cavalo, a carroça, as pernas?
Como se alimentariam os animais? Como se lavrariam as terras? Como se fariam chegar os alimentos aos mercados? Passar a ter horta, galinhas, uma vaca leiteira, árvore de fruta no quintal da casa? Alimentar os animais pelo pastoreio, rasgar a terra com a charrua, retirar a água do poço com o balde ?
Trocar uma cabra por uma mesa e levá-la para casa em carro de bois.
Voltar a usar as velas, a lareira, a forja, a escrita em papiro.
Tecer o algodão, o linho e a lã para fazer os nossos agasalhos... depois de os produzir, claro.
Se acabasse agora o petróleo quando é que estaríamos em condições de fazer outra vez tudo o que necessitamos para assegurar a nossa sobrevivência?
Como viveríamos sem viajar, sem consumir, sem ter a certeza que se chamarmos os bombeiros, a polícia ou a ambulância eles estarão junto de nós em minutos?
E as pessoas que apenas têm 2 assoalhadas para viver, sem quintal, sem terra?
Talvez não víssemos tantos campos abandonados no interior, tantas famílias desunidas, tantos obesos, tantas dietas para manter a linha, tanta ambição e tanta inveja.
Mas é difícil pensar em tudo o que dependemos do petróleo.
(Admiro mais ainda os grandes escritores, os cientistas, os artistas que só podiam criar à luz da vela)
E penso nos alertas constantes que os cientistas fazem há algum tempo, de que os recursos de petróleo se estão a esgotar...
A casa Maia
A lindíssima habitação que se vê na foto, à direita, o palacete dos Maia, propriedade da muito querida Emilinha Maia, foi restaurado e adaptado para turismo de habitação. Junto do jardim da Câmara Municipal, fica um pouco escondido pelo muito trânsito que passa nesta rua, já que é a via usada por quem sai da auto-estrada e atravessa o Fundão.
A entrada ampla de granito assim como a larga escadaria que conduz ao 1º andar, deixa-nos sem fôlego, de tanta beleza. Toda a decoração é clássica e de bom gosto.
Nele costumava ficar hospedado Eugénio de Andrade sempre que vinha ao Fundão.
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