"Eu conheço um país..."

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista "Exportar"

"Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.
Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.
Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.
Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.
Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.
Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.
Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.
Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.
Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.
Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.
Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhore vinhos espanhóis.
Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.
Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pelo Mundo.
O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive...
PORTUGAL
Mas é verdade.Tudo o que leu acima, foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.
Há ainda grandes empresas multinacionais instalada no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo).
É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... do que se atrasou em relação à média UE...etc.
Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.
É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso."

Humanidade robot

Quantas crianças das nossas cidades já viram uma galinha viva?
Quantas já viram como se semeia, rega e arranca uma cenoura da terra, ou um ninho de passarinho com filhotes de olhos pretos e bicos escancarados?
E o nascer do Sol ou o seu adormecer alaranjado atrás dos contornos do horizonte?
Pensam que os frangos nascem e crescem sem cabeça, sem roupa e manetas, tal como os podem ver no supermercado, único local onde contactam com alguns elementos da natureza.
Para os nossos filhos mais novinhos o porco é bifana, costeleta ou chouriço.
Nos desenhos animados conhecem os porquinhos, mas estes falam, vestem e brincam como eles, diferindo apenas nos narizes mais redondos que o habitual e as orelhinhas cor de rosa.
As alfaces, as bringelas, as cenouras e as batatas são feitas pelos homens nas fábricas, tal como eles moldam a plasticina no jardim escola.
O sumo de ananás vem do supermercado, assim como o de morango e o de pêssego.
Até a água boa para beber de lá vem, em garrafas e garrafões, já que a que sai da torneira, dizem-lhes que não serve para beber e a que provam no mar é salgada e cheia de lixo.
A chuva vem do céu e é uma seca, porque impede que brinquem no pátio. Às vezes é gira, porque faz lama e charcos onde podem meter os ténis de marca, à saída do colégio, quando vão a correr para o carro, arrastados pelos pais. A utilidade da água, além de ser para beber, talvez arrisquem a dizer que é para lavar os carros, encher as piscinas e regar a relva do jardim da vivenda.
Embora digamos constantemente que as nossas crianças sabem tudo de computadores, de canais da TV Cabo e de telemóveis, dá tristeza ver como crescem longe da natureza.
Nunca viram um riacho, a correr límpido entre os seixos do seu leito e nas suas margens, a pequena vegetação a mergulhar a folhagem na água de cristal.
Nunca ouviram o arrolhar dos pombos no telhado do palheiro, nem o galaró cantar ao amanhecer. Não dormiram à sombra duma árvore, em tarde de calor, nas traseiras da casa, respirando o oxigénio com que ela generosamente os presenteia, sem cobrar qualquer taxa.
E à noite, em vez de luzes coloridas de publicidade animada, nunca ficaram na varanda a olhar o céu estrelado, medindo apenas a imensidão do universo e o silêncio - o silêncio tão ausente dos seus dias.
As fontes estão poluídas, os rios cheiram mal, não podem andar descalços por causa dos vidros, das latas e dos arames.
Até olhar o firmamento, já não é possível sem tomar os satélites, por estrelas.
E se os olhos não sentem a ausência das cores da natureza, por terem as tintas que as imitam, se os ouvidos se habituaram aos sons das baterias, violas eléctricas e estereofonias, em vez do canto dos pássaros e das canções trauteadas pela mãe nos seus trabalhos domésticos, o olfato perde o cheiro da terra molhada pela chuva na tarde de Verão e o paladar nem adivinha o que é uma cereja colhida da árvore, estalar entre os dentes e suculenta, deixar escorrer o sumo que nos tinge a camisola da cor do sangue.
O pôr do Sol é tão habitual, que nunca pararam para o ver e só dariam conta que o Sol nasce, se um dia ele não nascesse.
E assim o progresso vai roubando, aos poucos, a humanidade das gerações que chegam.

Pessimismo?


Telenovelas

Há já algum tempo que as telenovelas deixaram de ser histórias de amores e enganos, de truques e armadilhas.
Neste momento tiro o chapéu às telenovelas brasileiras.
Os assuntos que nelas são tratados, a abordagem dos problemas sociais feita de forma tão lúcida e acessível, a oportunidade de ensinar, de chegar às grandes massas, são notáveis.
Por outro lado, os actores cada vez são mais fantásticos. Que maravilhosas representações!
Depois vem a fotografia, a música, os cenários.
Quem se lembra do jovem actor que representava um doente de esquizofrenia?
Quem pode ter vergonha de dizer que vê telenovelas, quando elas são já verdadeira arte de fazer teatro, televisão e cinema?

Pobre de espírito


O senhor não vê que ao boicotar o trabalho de alguém, não está a mostrar a incompetência dessa pessoa, mas a sua?

A tarefa mais simples que dependa da sua colaboração, arrasta-se no tempo e é mal feita ou fica incompleta, para a prejudicar.

Não vê que isso não prova que a pessoa que o senhor quer deixar mal vista, não sabe fazer o que lhe foi pedido, mas sim, que o senhor não é um profissional?

Se ela tem de montar um jornal de parede e o senhor é chamado para colocar uma simples luz que o ilumine, se para tal leva 3/4 meses... não mostra que ela não é capaz de escrever os artigos, dar forma ao jornal, mas sim que o senhor não corresponde ao que deve ser a sua função - a de electricista na sua forma mais simples, que apenas tem de esticar um fio e montar uma lâmpada!
Quer provar à viva força com o seu trabalho mal feito, que ela não sabe fazer o dela???

Isso é o que se chama pobreza, pobreza de espírito.

Música especial

O original

Georg Friedrich Haendel (1685-1759), ópera Rinaldo. Aria “Lascia la Spina”.
A interpretação (talvez) mais fiel à partitura original é a da mezzo-soprano Cecilia Bartoli, “menina bonita” do Quadratim e do Pretérito Mais-Que-Perfeito.
No PmqP foi publicado a 23.Fev.2009, a propósito do aniversário do nascimento de Haendel, este clip de um espectáculo de Bartoli, acompanhada, salvo erro, pos “Les Musiciens du Louvre”, grupo de câmara que frequentemente acompanha a mezzo-soprano italiana nas suas (muitas) interpretações do canto barroco.

Uma bonita versão
A interpretação de Lascia la Spina pelo soprano Sarah Brightman, que “aproxima” mais a leitura original da obra das versões que modernamente são apresentadas em filmes, telenovelas, etc.
A peça é por vezes apresentada com o título “Lascia ch’Io Pianga”





No vídeo reproduzido acima, uma versão da aria de Haendel arranjada por Paul Schwarz, com o título “Lascia” e utilizada recentemente na telenovela “Viver a Vida”, realizada pela Rede Globo e transmitida em Portugal pela SIC.

A magia das palavras

"O Sorriso

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso. "

Eugénio de Andrade

Lenga lenga

Outra lenga lenga da minha infância


Ana Badana
Roca de cana
Fita vermelha
Rabo de ovelha
Mija no pote
Faz vinagre forte.


A música dos nomes em ana...

Israel, tão distante.

Sou católica e pouco sei da religião Judaica, mas quando era miúda queria ir para Israel ajudar a construir a nova Nação dos Judeus.
Li todos os livros de Leon Uris, li tudo sobre os Kibutz, era apaixonada pela luta e pelas vitórias daquele povo que sofrera o Holocausto.
As mulheres militares, os laranjais a crescer no deserto, a união que faz a força... eram temas que me empolgavam.
No entanto, mal conhecia o terror que o meu país vivia sob a ditadura de Salazar.
Cresci com as palavras do meu pai bem gravadas no meu ouvido de que a política é para os políticos e nós, simples mortais, teríamos de aceitar a nossa sorte calados, para não sofrer as consequências. As paredes tinham ouvidos...
Era o medo instalado anos e anos a fio.
A política não fazia parte da nossa vida e apesar de se viver em democracia há mais de 3 décadas, continua a não fazer parte.
Poucos portugueses conhecem a ideologia dos partidos que traçam o caminho da nossa Nação.
Sabemos alguma coisa pelo que vamos lendo nas letras gordas dos jornais, pelo que vamos ouvindo nos noticiários televisivos, mas não nos empenhamos em aprender, em compreender e principalmente, em ajudar a construir um país melhor.
Não enfrentamos os problemas... não nos comprometemos.
Fazer parte de um grupo que defende a Natureza, que defende um Povo, que luta por alguma coisa que melhore a breve existência do ser humano, dá trabalho, tira tempo, é cansativo e muitas vezes frustrante.
Mas falar, criticar, exigir... é a nossa especialidade. Mesmo sem sabermos o que estamos a dizer!
Quem defende o Homem do poder destruidor do Homem?
Quem nos defende de nós próprios?

Fernando Pessoa

"Deve chamar-se tristeza"

"Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa
Saudade que não deseja.

Sim, tristeza - mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe estará uma estrela
E ao perto está não a Ter.

Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó."


Poesias inéditas - F. Pessoa

Muro de Berlim

A criatividade do ser humano não tem limites e explode mesmo nas condições mais difíceis.

Para quem tem a liberdade na alma,
não há muro suficientemente alto para evitar que o sonho nasça e se realize.
Para quem tem a esperança no
coração, a tirania dos homens é um muro que eles próprios derrubarão.
O sonho, a força e a paixão levam sempre a melhor... Os que não conseguem ouvir os seus sentimentos, ficarão para trás.

Cisjordânia.


Mas o homem cria outros muros.
Cisjordânia é assim.

São 6 mts de altura para ilustrar o ódio, a raiva, a vingança...

O que ensinamos aos nossos filhos?

Berlim... 20 anos.

Muro de Berlim, Cortina de Ferro, Muro da Vergonha.
Mais de 5000 pessoas foram tentadas a saltá-lo... 200 perderam a vida atrás do seu desejo de ser livre.
Balas, minas, arame farpado, jactos de água...
Como deve ser triste viver a sonhar com uma liberdade que nos negam, só porque têm mais força... mais armas.
Um país derrotado, uma cidade dividida, famílias separadas, sonhos mil vezes adiados.

Caiu, finalmente, o Muro da Vergonha. E em 2 dias, mais de 2 milhões de pessoas atravessaram de Berlim Leste para Berlim Oeste, festejando esse momento tão importante para toda a humanidade.

Foi há 20 anos. Continua a ser festejada.
A festa da liberdade!

Natal...Já?

Já se fala em Natal!
Eu sei que o tempo passa num instante, mas cada vez começa mais cedo esta barafunda nas ruas, nas lojas, nas cabeças das pessoas.
Hoje pensei fazer doce de abóbora e como não tinha açúcar suficiente, nem nozes, fui tomar um café e aproveitei para dar um salto ao supermercado.
Quando entrei, fiquei parada no meio do hall. Não queria acreditar que aquela gente toda estava à espera para fazer embrulhos de Natal!
Acho um pouco demais.
No ano passado, quando no princípio de Dezembro fui às compras normais para casa, fiquei assustada ao ver os carrinhos à minha frente cheios de caixas de chocolates e de garrafas de bebidas.
Primeiro, pensei que me distraíra na data e que já estava na véspera de Natal. Depois fiquei admirada com a quantidade daquelas coisas que as pessoas levavam.
Uns carrinhos tinham dificuldade em equilibrar a montanha de compras, outros eram o transporte de quantidade imensa de caixas de Ferrero Rocher e de garrafas de scotch.
O que ia mesmo junto a mim, levava mais de 30 ou 40 caixas de chocolates e de vinho, apenas.
Pensei na despesa, mas fiquei mais chocada quando vi pagar com recurso ao crédito.
Oferecer o que não temos, fazer vista com o que teremos de pagar durante meses... Não me entra na cabeça!
Não é Natal, é disparate.

A Tradição

"A tradição já não é o que era"
Esta frase concebida, penso eu, pelos especialistas de publicidade, é excelente.
Todos os dias há situações que me fazem repeti-la.
Lembrei-me dela ainda há pouco tempo quando pensei no "adeus" aos funcionários dos nossos serviços, quand são transferidos ou aposentados.
Com dias de antecedência já se organizava o almoço de despedida.
Depois era o alvoroço na hora da saída, todos juntos no cortejo dos carros a caminho do restaurante, as risadas e as conversetas na hora de escolher lugar nas mesas, a sala repleta só com o "nosso" grupo!
Um de nós mandava fazer o ramo das flores com toque especial para oferta, outro escolhia o cartão com cuidado e fazia-o circular para que fosse assinado por todos. Durante o almoço, cuja ementa também merecera alguma atenção, contavam-se as velhas histórias passadas nas horas de trabalho e todos riam, mesmo que já as tivessem ouvido dezenas de vezes.
Depois da sobremesa, era o momento dos brindes e do discurso.
A despesa era dividida por todos sem problemas de orçamento.
Mas parece que a crise já chegou às despedidas.
Até essas são agora a seco!
A tradição já não é o que era, realmente!

"Os narcísicos" de Daniel Sampaio

E agora... a reflexão.
"Portugal anda cheio de chefes narcísicos. Querem dominar tudo e todos e não mostram qualquer empatia pelos problemas dos que os rodeiam.
A principal característica destas pessoas é um sentimento grandioso da sua importância. Hipervalorizam todos os dias as suas capacidades e exageram tudo em que participam, exigindo que os outros dêem o mesmo valor ao que atribuem a si próprios. Embora o disfarcem com cuidado, desvalorizam as realizações alheias, sendo frequentes os comentários de que foram os primeiros a realizar os feitos de que - às vezes - são os únicos a ter orgulho.
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Os comportamentos arrogantes e altivos destes chefes são característicos. Muitas vezes mostram desdém e atitudes de complacência, considerando que os sentimentos dos outros são sinais de fraqueza ou vulnerabilidade, por isso não se detêm no caminho que os levará à glória.
Quando não são servidos como desejam, ou quando alguém ousa uma crítica, respondem com agressividade, como se estivessem a ser atacados.
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Para manterem a ilusão de auto-suficiência (necessária por causa do temor que os afectos positivos possam conduzir à destruição do sentido de si próprios), não se relacionam profundamente com ninguém, porque assim julgam controlar tudo à sua volta e evitar a destruição psíquica da sua (afinal) frágil pessoa.
Estes chefes não são verdadeiros democratas: falta-lhes o sentido do reconhecimento do outro, a partilha e a capacidade de amar que caracteriza os verdadeiros líderes: podem mandar, mas não serão amados, apenas tolerados, mais tarde ou mais cedo cairão do pedestal que construíram para si próprios.

(Nota: Esta crónica contém fragmentos da DSM-IV-R, classificação americana das doenças mentais.)"

Daniel Sampaio

Adeus

Não gosto de despedidas.
Faço os possíveis para me escapar à hora derradeira da despedida com abraços e adeus de olhos molhados.
Mas, se consigo evitá-las, também fico aborrecida, porque aquele momento da separação é importante para continuar em frente sem problemas.
Parece que fico com a ideia de que ainda não houve a separação, que a qualquer momento vou ver de novo quem já partiu.
Por isso, o melhor é mesmo enfrentar o sofrimento e levar um lenço no bolso para não fungar com o pingo da comoção.
Adeus, boa viagem, conduza com cuidado, avise quando chegar. E a seguir... um momento de nostalgia e a saudade a crescer.
Como é que vou ultrapassar mais um momento doloroso de adeus? Fum, fum.
Já começo a pensar na hipótese de o evitar... lá vem o dilema.

Lenga-Lenga

Hoje lembrei-me de uma lenga-lenga que cantava na minha infância e apeteceu-me recordá-la aqui.
Os sons, as imagens e os costumes que me trazem à memória a minha terra, a minha família e principalmente os meus dias de despreocupação , dão-me alento para aguentar tantas tristezas deste meu dia a dia.
Procurei uma imagem que ilustrasse as minhas recordações e hoje, por momentos, voltei a ser a garota de cabelo cortado à rapaz, que subia a Rua da Cale, a saltitar ora numa perna ora noutra e cantava:

Joaninha voa, voa
que o teu pai foi para Lisboa
para comprar uma sardinha
para dar à joaninha.

Um momento de melancolia

A vida tem momentos difíceis de definir.
Não há nada que os mostre diferentes, porque não há tumultos, não há desgraças, não há mudanças, não há nada que os diferencie de todos os outros vividos recentemente, no entanto, nós sentimos mais a solidão, lembramos mais as coisas que nos magoaram, temos menos esperança, não queremos continuar a lutar.
A realidade aparece de repente nua e crua a nossos olhos e instala-se no nosso peito, não nos deixando respirar, consumindo as energias que constantemente renovamos para ultrapassar isso. Faz-nos companhia a tristeza, o silêncio e o desamparo.
Continuar obriga a uma força que não temos e ficar, uma desistência que nos derruba.
Neste momento tudo parece igual à minha volta, mas nada é o que eu quero, o que eu quis ou o que eu sonhei.
Parecia tudo como desejei, mas num instante apenas, a realidade mostra-se e eu sinto-me perdida. Como se este lugar não fosse o meu, nem este presente fosse o que procurei.
A tristeza vem, magoa e vai-se embora a rir-se de mim.

???

Tenho inveja das pessoas que sabem bem o que querem.
Sabem e acreditam mesmo naquilo que escolheram.
Uma pessoa que escolhe para seu clube o Benfica, ou o Sporting, que escolhe o PS ou o PSD, que segue o Reino de Deus ou os Adventistas do Sétimo Dia, que escolhe e luta pela sua escolha com todo o seu entusiasmo, não duvidando nunca que é essa a melhor opção, a única 100% certa, sem qualquer dúvida ou excepção, deixa-me enternecida por tamanha fé, tão forte convicção.
São pessoas que discutem, gritam, zangam-se, espumam e quase dão a vida pelo seu clube, partido ou religião, sem esmorecerem no seu entusiasmo nunca (jamais, como diria o outro).
Fico invejosa das suas decisões e curiosa por saber como conseguiram estudar, analisar, comparar, provar e comprovar, até atingirem o grau de conhecimento que lhes dá essa força.
Ou então será apenas uma escolha de cor, de simpatia, de musicalidade, de moda?
Mas uma opção de cor ou moda, é capaz de fazer assim tanta efervescência?
A verdade é que, seja apenas fé ou antes muito conhecimento, me deixam triste com as minhas interrogações, as minhas hesitações e invejosa com tais certezas.

Bon Jovi




O que é bom, é bom para sempre!

Nada vale a pena...

Sinto que nada do que faça vale a pena.
Muito menos o que sonho.
Um sábio dizia "tudo vale a pena, se a alma não é pequena".
Se assim é, eu tenho a alma pequena!
Cumprir os objectivos não é suficiente. Superá-los, não é relevante.
Ser justo é relativo. Se estás comigo, posso arranjar-te uma justiça. Se não estás, a justiça terá de ser outra, tem lá paciência!
Estudar, avançar... Só interessa a mim mesmo.
Há sucessos por aí, que eu tento compreender e não consigo.
Nem pela qualidade, nem pela originalidade, pela beleza ou outra característica qualquer, se destacam, merecem a atenção que de repente têm. Procuro o segredo, mas ainda não descobri. Sabia-me bem, nem que fosse uma vez por outra.
Não chego lá, por mais que me esforce.
Por isso acho que não vale a pena.
A minha alma é pequena, definitivamente.

Pedro Álvares Cabral


Quantas vezes Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil, terá ficado nesta janela a olhar a Serra da Estrela e a recordar o verde mar que o levara a Terras de Vera Cruz?

Belmonte


Belmonte- a terra de Pedro Álvares Cabral, o homem que navegou até ao Brasil pela primeira vez.
Não era a Índia, mercado além-mar que o navegador português procurava, mas também encheu de riqueza e glória o reino de Portugal.
Pedro Álvares Cabral é o orgulho da sua terra- Belmonte.
Tudo está agora preparado para receber os turistas que chegam todos os dias para olharem as pedras do seu castelo e as inúmeras igrejas que o rodeiam.
Ao passar frente a uma pequena capela, reparei que estava aberta. Atrevi-me a entrar para ver, claro.
Logo que passei a porta, vi uma senhora atrás de um pequeno balcão montado junto da pia da água benta. Dei os bons dias juntamente com um passo para o centro da pequenina capela. Ela chamou-me e comunicou-me que para ver a capela teria de pagar.
Mas eu já estou a ver a capela, respondi admirada. De tão pequena, com um altar a meio e outros dois de cada lado, bastava um olhar para ficar toda vista.
A senhora insistiu que eu tinha de pagar e depois teria direito a ver outras existentes em Belmonte.
Não aceitei e saí, dando para trás o passo que me permitira entrar.
Eu queria ver Belmonte vivo, onde as pessoas viviam e conviviam.
Encontrei então uma bela casa de pedra, com a entrada que fotografei, sob o olhar sorridente da proprietária.

Fundão, a terra da minha mãe


Fundão e Cova da Beira - o vale entre a Serra da Gardunha e a Serra da Estrela é a terra da minha mãe e a terra minha mãe.

Visto da Serra dos castanheiros e das cerejeiras, o Fundão é o coração da Cova da Beira.

Aldeias da Cova da Beira

Logo a seguir à Aldeia de Joanes, aparece-nos a Aldeia Nova do Cabo.

Como a placa mostrava "Aldeia Nova do Cabo 1" indicando que esta se encontrava a 1 km dali, nós diziamos por brincadeira "Aldeia Nova do Cabum".

É muito bonita esta aldeia.
A Igreja está situada numa parte mais alta e tem a toda a volta um pátio com belas Tílias.


A escola com as características colunas de granito e grades de ferro, é um belo edifício, num espaço magnífico, na encosta da Serra da Gardunha.
Quanto não se terá conversado e namorado nesta varanda de beleza sem igual?

A terra do meu pai


A Cova da Beira encheu-me de mimo na minha juventude e eu nunca esqueci isso.

Acho-a linda e estou convencida que é linda, apesar de saber que a vejo com os olhos do coração.
Um destes fins de semana tive uma manhã livre e fui dar uma vista de olhos. Fui matar
saudades.
A aldeia do meu pai é logo ali, à saída do Fundão- Aldeia de Joanes.
Esta é a Igreja, simples mas acolhedora, com altares de talha dourada, bancos de madeira e sempre enfeitada com flores angariadas nos jardins da aldeia.

A Junta de Freguesia funciona nesta casa lindíssima, que a capela denuncia como afidalgada.
À saida, uma casa particular que mostra como o granito é característica da Beira e como torna as suas aldeias tão belas.

Árvores, pedra e muita simpatia, lá estavam, como na minha infância.