The lion sleeps tonight

Fenecem meus sonhos

Fenecem meus sonhos
de tanto esperar.
Minha alma desiludida,
acredita, acredita.
E os mesmos sonhos de menina
renascem
como as flores na Primavera.
Eu olho à minha volta
tantos caminhos andados
tantos desejos anulados
tanta tristeza vivida.
Amanhã será
como a lua em suas fases
o sol nas estações
as rosas podadas
a chuva, o vento
as ondas do mar.
E neste nascer e morrer
minha alma desiludida
acredita, acredita.


Mª Suzete

Um suspiro na noite.



Deixa-me sentar a teu lado, quieta, em silêncio e ouvir-te apenas respirar.
Deixa-me encostar no teu peito e sentir o bater do teu coração.
Dá-me a tua mão para que possa entrelaçar os meus dedos nos teus e amparar na tua força, a minha fraqueza.
Cerca o meu corpo com o teu, sê árvore, nuvem, pedra e espuma.
A vida lá fora marcha em parada militar, fenece em fogueira de raivas e ódios, desfalece de lutas vãs, amanhece cansada de ilusões e ri-se de ingénuas esperanças.
Uma música ao longe embala o meu sonho e eu deito no teu colo toda a luz que o luar não quer.
Fica assim, no escuro, adivinha apenas como me deleito com a tua existência e deixa que te considere meu, que te mostre as minhas lágrimas, os meus suspiros, os meus temores.
Abraça-me e mesmo que amanhã voltes a partir, respira comigo a quietude da madrugada.
Suporta no teu peito o peso do meu cansaço, do meu desamparo, dos momentos tão tristes que a lua apaga, dos gritos sem som, dos gestos de estátua, dos projectos desfeitos, dos desejos adiados.
Fica comigo esta noite. Para ti é uma noite... para mim, a vida.
Se ficares, faz-me acreditar por uma vez, que és só meu.
O vento a cantarolar nas ramadas do jardim, é o suspiro que o meu peito solta nesta ilusão.
Fica comigo e que eu deixe de respirar.


Mª Suzete

A Mãe Natureza

A Mãe Natureza tem-se esforçado por me consolar.
Um casal de pintassilgos aproveitou o fio que coloquei para amparar uma roseira de trepar, ainda frágil e sem capacidade de se manter sozinha na coluna da varanda, para aí fazer o seu ninho e chocar os ovinhos.
Os filhotes nasceram e juntos partiram.
Não precisam mais que umas ramadas de árvores para descansar, depois de voar no céu azul, sem apego a bens, sem invejas, nem ambições.
O ninho começa a desfazer-se, para pena minha.

Infinito




Sentávamo-nos à beira mar,
Olhando o céu estrelado,
As constelações.
O sonho era dourado.
O teu, foi navegar,
Voar.
Eu fiquei à espera,
Olhando o quebrar das ondas,
o rendado da espuma,
o seu constante renovar.
A tua cadeira,
levou-a o mar
para oriente,
para longe.
Eu, guardei em silêncio
o brilho das estrelas,
o cheiro da maresia,
o sussuro do mar,
a insistência em beijar a areia fina.

Mª Suzete

Lutar contra a dor

Tenho tido muita vontade de vir aqui e escrever sobre o que sinto.

A verdade é que ao reler os últimos textos, a dor é tão grande, mas tão grande, que me perco nas lágrimas e nas saudades.

Tenho que lutar contra esses sentimentos, dizem-me os amigos.

Já tentei sorrir às brincadeiras das colegas de trabalho, fazer coisas diferentes do habitual para me motivar, trabalhar nas tarefas da casa, duramente, até me doerem as unhas dos pés e ter as mãos inchadas, sair e passear no centro comercial, nas ruas, no campo, mas a dor vai sempre comigo, como a minha sombra, enfraquecendo qualquer prazer que possa ter.

Será que terei de lutar com espadas, com bastões, com flechas, com pedras, com murros, com fome, com sede?

Ou conseguirei vencê-la com isolamento, com silêncio, com gritos, com gemidos ou apenas com fingir a mim mesma que estou bem?


Ensinem-me como se faz, por favor.



Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

A poetisa fala por mim...

"Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.

Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa-
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.

E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência."

Sophia de Mello Breyner Andresen

Dor

"Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem."

Sophia de Mello Breyner Andresen

Flores

Com minha mãe também aprendi a amar as flores.
A amar flores pequenas, simples, mas de cores vivas e formas variadas, em mantos pintados no campo ou em ramos mais elaborados de corolas sofisticadas em feitio de taça, de pássaro, de campainha ou de concha em madrepérola, que ela amava e cuidava como ninguém.
Com uma simples rosa, uma camélia dobrada, uma orquídea ou um malmequer azul do meu quintal, ela ficava feliz, querendo mostrar a preciosidade que a filha lhe levara à Irmã Teresa, à Amélia, à tia Fernanda, a quem quer que a visitasse.
Tantas, tantas flores, tão belas, em sua homenagem!
Se as pudesse ver...

Silêncio

Silêncio no quarto onde a minha mãe dormia.
Tristeza ver a cama desfeita e as suas coisas à mercê da vontade dos outros.
Uma dor profunda instala-se no meu peito e a saudade começa a espreitar.
Toda a minha vida passa num filme em câmara lenta, vendo-a receber-me com um sorriso, a cada regresso, a cada reencontro.
O silêncio,a sua ausência,a certeza do definitivo,fez-me olhar o céu e desejar que ela lá estivesse, de mão dada com o meu pai (como sempre andavam)e nos pudesse ver, aos seus filhos, netos e bisnetos, apesar de tão tristes com a sua partida.

Dar tempo... à dor

A dor foi tão forte, tão profunda, tão imensa, que me secou por dentro.
Quero dar tempo, dar tempo à dor, para amainar e poder reconstruir sobre os destroços alguma coisa mais que não seja apenas um lamento constante.
Quem me dera que dentre os destroços surja uma pequena raiz que dê caule, folhas, flores e frutos, de novo.

Luísa Dacosta

Naufrágio

No fundo do mar,
perdidos,
estão os sonhos,
dia a dia, inutilmente dobados.
Carne de medusa,
lacerada pelos corais,
oculta entre as algas,
quem poderá sabê-los?
ou encontrá-los?

Miau

Faltava ainda o 5º elemento da família, o Miau.
Num dia em que assistia a filmagens no exterior, o Jorge encontrou um pequeno gato recém-nascido, ossos a furar a pele e muito doente. Certamente fora abandonado e resistira para ser salvo pelo maior coração do mundo.
Levado ao veterinário, ficou a soro e veio para casa com olhos mortiços e andar trémulo.
Quando a minha neta lhe perguntava o nome, ele respondia com miados doridos.
Miau. Ficou Miau.
É hoje este lindo gato preto, de olhos verdes e porte altivo.

Recontar

Desapareceu o contador deste blog.
Desapareceu há uns meses e tinha mais de 15.000 visitas.
Como na vida, de vez em quando é preciso recomeçar. E aqui vou recomeçar do zero.
Quero saber se o que escrevo chega a alguém.

Ano Novo

"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."

(Cecília Meireles)

Chopin-Etude no. 3 in E major, Op. 10 no. 3, "Tristesse"




Eu disse ao Jorge que adorava a música de Chopin e ele respondeu que a achava muito triste. Sim, ele tinha razão. Hoje identifico-a com a minha tristeza...
- Para si, Jorge e que esteja em paz.

Jorge



O desgosto que sentimos por algo que sabemos ser irreversível, é uma dor que dói a dobrar.

Família

A família que a Leucemia desfez, roubando-lhe num mês, a força, a esperança, a alegria e o coração,

Luto

Quem adoptou o preto para o luto, sentiu ser essa a cor que melhor combinava com a tristeza, com a saudade, com o vazio que fica com o desaparecimento de alguém muito querido.
Eu concordo.
Sinto-me bem na roupa escura que visto, porque é dessa cor que está o meu coração ao olhar para a minha filha e para os meus netos, sabendo a falta que lhes faz o marido e o pai, que tanto amavam e de quem recebiam tanto amor.
É dessa cor que está a minha alma com o desaparecimento de alguém com quem tanto aprendi e de quem tanto recebi.
Embora haja a lembrança, há a ausência, uma ausência que magoa.
O Jorge era como meu filho e o lugar dele na minha casa, na minha vida, pelo homem que era e pelo que fazia pela família, pela minha família, deixou-me de luto, não só no negro que visto, mas também no negro que sinto.

Memória Jorge PT Sapo from NORMAJEAN | Brand Culturing™ on Vimeo.

Balzac

"A estupidez tem duas maneiras de ser: ou se cala ou fala.
A estupidez muda é suportável"


Balzac

A Vírgula

Sobre a Vírgula

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Detalhes Adicionais:

COLOQUE UMA VÍRGULA NA SEGUINTE FRASE:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...


(texto cedido por minha querida amiga Drª Ana Marques)