Solidão

Ter passatempos...
Passar algumas horas na cadeira da varanda a ler um livro e à medida que se avança no enredo, nascer a simpatia por um dos personagens, adivinhar as suas reacções, torcer para que descubra a conspiração ou adivinhe os planos que tecem contra ele e quando a história termina, sentir pena da separação enevitável daqueles que viveram connosco tantas horas desde que se iniciou a sua leitura.
Ou ver um filme na TV, no silêncio da casa, vivendo a cada minuto os planos mais próximos, quase sentindo as dores de quem sofre, deixando cair uma lágrima de comoção, rindo com uma cena atrapalhada, suspirando com as lembranças que se associam a cada minuto da história do herói da tela, em que a música é companhia a propósito e o cenário envolvente.
Estar sentado numa esplanada, olhando o infinito como se não existisse mais nada, mas seguindo atentamente os outros, nos seus gestos mais íntimos, sorrindo com as brincadeiras de um cachorro que punha pela roupa de uma criança ou dos namorados que se beijam esquecidos de tudo ao seu redor.
Ver as fotos da revista de excentricidades, enquanto se saboreia um café amargo e quente, desculpa apenas para sair um pouco e ver gente por minutos...
Tudo passa diante dos olhos como um filme, sem que se entre na cena, se sinta o calor do abraço, se receba o sorriso de quem chega, se faça adeus a quem parte.
Estou farta de assistir à vida sem fazer parte dela, de viver a vida no camarote de espectador.

2 comentários:

Nuno Medon disse...

olá! Eu também me sinto sozinho, muitas vezes, porque não tenho irmãos e isso faz falta. A net ajuda a combater a solidão, mas sinto que precisava de uma mana ou de um mano... porque não escreves um livro ? de certeza que tens muitos textos aí, na gaveta mais próxima que davam para compor um belo livro. beijos e um abraço. Amanhã ou na Sexta, vou para a Figueira.. hehehe...sem os meus pais :)

Anónimo disse...

Senti as palavras da escrita, profundamente.