Para descontrair, uma pintura deliciosa de Botero

Swan Lake

E os deuses uniram-se...









Pequena nota biográfica:

Margot Fonteyn nasceu em Inglaterra no ano de 1919 com o nome de Margaret Hookham. Passou a sua infância na China, donde veio aos 14 anos. Os seus pais levaram-na a uma audição e o seu primeiro trabalho foi no bailado "Quebra-nozes" como floco de neve. Aos 16 anos era já primeira bailarina do Royal Ballet no Convent Garden, onde fez "O pássaro de fogo", A bela adormecida", "Cinderella", etc. tendo durado a sua carreira 40 anos. Casou com um diplomata do Panamá. Quando já pensava afastar-se dos palcos, fez "Giselle" com o recém chegado Rudolf Nureyev, bailarino russo mais novo 20 anos, com quem dançou durante mais 15 anos. Aposentou-se em 1979 e foi viver para a Argentina, onde tomou conta do marido, paralítico devido a um atentado que sofreu, até 1989, ano em que ficou viúva. Faleceu de Cancer em 1991.

Rudolf Nureyev, Rudolf Kametovich Nureyev, nasceu a 17 de Março de 1938 em Ufa, Basquíria (Irskutsk) na Rússia Soviética. Às escondidas dos pais teve aulas de dança com uma velha bailarina que residia na sua terra. Sem dinheiro, nem apoio de ninguém, foi apresentar-se na Escola de Dança de Leninegrado, que funcionava no Teatro de Kirov e foi aceite como aluno devido ao seu já notório talento. Formou-se em 1958 e foi considerado o maior bailarino clássico.O seu professor foi Aleksandr Pushkin, a quem venerou sempre. Em 17 de Junho de 1961, no aeroporto de Paris onde estava com a companhia de bailado de Kirov, correu por entre os guardas e pediu asilo político, que Paris lhe concedeu. Como par de Margot Fonteyn, protagonizou bailados como "Giselle", Marguerite et Armand", "O lago dos cisnes", "Romeu e Julieta", etc. Faleceu em 1993 em Paris, vítima de Sida.

Margot Fonteyn


Que deuses habitam num simples mortal, que lhe dão força e capacidade para ir tão longe?
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Anos e anos em pontas... parece ser tão fácil.
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Quanta beleza!
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E sempre um sorriso de felicidade, o verdadeiro triunfo!

Rudolf Nureyev




Como é imenso o poder criador...

Que pena vermos desaparecer tanto talento, tanta beleza!

Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver o filme "Les uns et les autres", ainda muito nova, mas já com paixão pela música e pela dança.

O "Bolero" de Ravel, dançado por Nureyev...

Nureyev e Ravel, onde estão agora com toda a sua arte?


criar...

Imagem, melodia e duas vozes fabulosas. Dois minutos para alimentar o espírito!

Bruxinha

Na minha vassoura mágica, voo pelos céus, entre as nuvens, sobre os mares e montanhas, até ao meu castelo encantado.

Morcegos são os meus pagens, ratos os meus servos.

Cortinas de teia, que mil aranhas tecem todos os dias, são os véus onde descanso das minhas maldades.

A minha capa é feita de noite, sem estrelas nem luar.

Os meus cabelos, de fogo que queima em meu redor.

Os meus olhos são doces e o meu sorriso é de mel... mas as minhas unhas são raios e o meu riso trovões.
Ihihihihihi!!!!

Hey...



Parem! Parem todas as crianças que brincam no recreio da escola em algazarra e correrias. As que vivem nas terras do frio e brincam no gelo com patins brancos de lâmina brilhante.
As que estudam nas escolas sem paredes, sem cadeiras, sem livros… e que aprendem as letras e os números com coragem, para amanhã tornarem a África mais justa. Parem as crianças que têm a pele queimada do Sol e que enterram os pés descalços na areia fofa das praias das ilhas distantes, com palmeiras quietas rasgando o céu e ouçam o que venho anunciar.
Ouçam bailarinas! Desliguem a música que as faz rodopiar e venham ouvir. Tragam as fadas de asinhas transparentes, as bruxinhas de chapéu em bico, os bonecos dos desenhos animados e as chiquititas…

Do circo já estão a chegar os palhaços, os trapezistas, os acrobatas, os póneis e as focas. Do cinema virá o Charlot, o Pamplinas, a Barbie e o Nemo.

Da televisão , a Dora, o Nody e o Dartacão.
Lá vêem todos os livros de histórias de aventuras, de adormecer, de encantar, com as letras em filinha e as figuras de aguarelas coloridas a acompanhar.
Parem os riachos que correm para os rios e os rios que correm para o mar. Pare o mar de ondular os cabelos das sereias e fazer bolhinhas de espuma na praia dourada.

Hey! Esperem nuvens apressadas feitas de algodão doce, não fujam, tenho uma coisa importante para contar.
E vocês também, estrelas brilhantes que enfeitam de luzes o céu tão grande, tão profundo, tão alto, tão distante.
Espera Sol, tu que fazes com que a Lua se encha de luar. Ouve o que eu vou dizer.
Abram-se flores e perfumem a novidade que eu vou anunciar. As vermelhas, as amarelas, as azuis… Também as lilases, as roxas e as rosadas. Perfumem o ar que é dia de festa.

Venham as árvores, mesmo as mais frondosas para poderem ajudar as mais pequenas e envergonhadas. Tragam os pássaros e os ninhos, as lagartas e os répteis, os esquilos e os saguis. As que viverem nas matas distantes, tragam os leões e os leopardos, o elefante e o bisonte, a gazela e o rinoceronte.
Dos desertos venham as areias escaldantes e o oásis.
Das montanhas venham as pedras negras dos vulcões, o eco e a cascata.
Anda arco-íris e veste as cores que realizam os sonhos.
Que não fique ninguém por ouvir a notícia que tenho para dar.
Quero flores, pássaros, música e perfumes, quero doces e serpentinas, histórias e brincadeiras.
Quero tudo, tudo o que a Terra tem de melhor.
Estão preparados?
Vamos juntar-nos e em coro bem afinado cantar o Parabéns a você…
Já adivinharam?
Hoje é o dia do aniversário da Francisca.


Vá lá, toooooodos…





Parabéns Francisca.


Asas de seda

Ter asas de seda pura e voar como sopro morno, dolente.

Deslizar entre as nuvens macias, guiada por sentidos ausentes.

Adormecer sobre as águas lisas dum lago e cobrir-me com mantas de luar.

Ser embalada pela canção do vento a sussurrar... a sussurrar.

Voar...


Voar, voar, voar...

Hoje apetecia-me ser borboleta e poder voar, voar, voar .
Em casa, com um pé magoado, sem poder movimentar-me àvontade, começo a ficar melancólica.
Não me apetece escrever, ler ou ver tv.
Os poucos passos que posso dar, não saem do mesmo lugar, por má sina minha.
Se eu pudesse voar, não precisava de ser águia ou falcão.
Bastava ser gaivota para andar sobre as ondas do mar, pousar nas rochas com cheiro salgado a algas rosadas e sentir a maresia passar suave e fria.
Podia ser um flamingo também, pois eles equilibram-se bem numa só perna. Alem disso, têm uma plumagem rosa muito bela, são elegantes, altivos e gostam de horizontes largos.

Não queria ser canário, apesar de os achar lindos e de encantarem com os seus trinados.
Nunca vi nenhum em liberdade... vejo-os sempre em gaiolas, saltando de um poleiro para o outro, de olhos fitos nas grades que os prendem. Como podem ter vontade de cantar?
Talvez ser ave migratória, ir para longe e poder voltar, subir alto nos céus e descansar nas escarpas solitárias. (Mas penso que seria uma vida muito cansativa... detesto fazer e desfazer malas.)
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Acho que escolheria mesmo ser borboleta. Nunca conheci nenhuma velha, enrugada, feia, gorda ou mal asada, como dizem no Fundão. São todas de uma beleza estonteante.
Airosas, coloridas, graciosas, ágeis, bailarinas de danças sensuais, vestidas de roupagem de festa, aveludada, quer sejam pequenas e cinzentas, ou garridas e extravagantes.
Andam de flor em flor, misturando com elas as suas cores, as suas formas, fazendo-lhes inveja com a sua dança de sevilhana com saia de mil folhos.
Levam nas patinhas pantufas de pólen doce e perfumado, que oferecem mais adiante às que as recebem com amabilidade nas suas corolas de toque acetinado.
Em cada volteio de dança ritmada, riem em gargalhadas como mulheres escandalosas que soltam os cabelos e estendem os braços até tocar as nuvens.
E depois, renovam-se com a rapidez de raio de luz, como um sopro de madrugada.
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Seria a Corcovado... ou a Gema. Talvez a Prepona, que de tão discreta é a mais enigmática.
Se eu hoje pudesse, sairia em direcção ao mar, pousaria em cada rosa, em cada jasmim, correria nas nuvens para ver o pôr do Sol riscar onde começa o céu e acaba o mar, planaria no suão e tremeria com a nortada, riria da terra, das pedras, das árvores que permanecem no seu lugar, sem gozarem o prazer da liberdade.
Mas como tenho o meu pé doente, só me resta escolher a borboleta mais bela e... sonhar!

Surpresas!

A estrada secundária que conduz à minha casa é uma constante fonte de novidades.

Há uma pequena curva com uma árvore que deita um óleo e deixa o piso escorregadio. Então, volta e meia está lá um carro acidentado ou vestígios de acidente.
Um colega meu andava todo vaidoso por ter comprado um carro topo de gama e pouco tempo depois já estava com ele no fundo da barreira.
Uma outra colega, que nos veio contar o acidente em pormenor... teve a mesma sorte. Até parece que teve inveja.
Penso sempre quando será a minha vez!!!

Ali perto, a Vanda foi multada em 3oo Euros, por excesso de velocidade e ficou um mês sem carta...
Também olho para o velocímetro, não vá o diabo tecê-las!
Um dia destes vinha a atravessar a estrada uma senhora muito jovem, com 2 crianças de 1 ano num carrinho duplo e outras duas de 3 anos, uma de cada lado. Parei para a deixar passar.
Agradeceu e eu, no momento que passou em frente do carro, perguntei-lhe, mostrando os 4 dedos da mão, se eram todos dela... Deu um sorriso escancarado, feliz e acenou afirmativamente com a cabeça. Foi lindo de se ver.
Outra vez, ia um casal à minha frente, num Golf. A mulher gesticulava muito e, sem mais nem menos, desatou a dar murros no homem que conduzia.
Surpreendida, temi ultrapassá-lo, não fosse ele distrair-se e chocar no meu carro.
Ela batia-lhe com fúria e ele conduzia com uma mão, enquanto se defendia com a outra, tentando segurar-lhe os braços, sem afrouxar. De repente, ela abre a porta do carro e tenta sair, enquanto ele a puxava para dentro. Abrandou um pouco a velocidade nesse momento e eu consegui ultrapassá-los. Gente louca!

Hoje, quando fui trabalhar, às 9 h, andavam 3 cavalos castanhos, imponentes, no meio da estrada.
Um dava alguns passos e os outros seguiam-no. Andavam em círculos e ocupavam a faixa de rodagem completamente. Se eu avançava um metro, eles aproximavam-se e eu ficava aflita sem saber o que fazer. Duas senhoras idosas observavam e eu perguntei da janela do carro, de quem eram os cavalos. Responderam-me que não sabiam, que não eram dali. Depois, uma delas deu um grito para outra mais distante e disse: "Oh Fulana, telefona aí ao Cicrano e avisa-o que andam aqui os cavalos dele!" Fiquei de boca aberta...
Atrás de mim, já havia fila e no outro sentido também, mas os cavalos, enormes e indiferentes continuavam a passear-se no asfalto, ocupando a faixa toda.
Um carro, vindo do fundo da fila, passou por nós com velocidade e só parou mesmo junto dos animais, parecendo que os ia atropelar. Um homem saiu, colocou uma corda à volta do pescoço de um deles, que a aceitou muito dócil e levou-o. Os outros seguiram-no de imediato.

Nesse dia, à tarde, vinha do serviço calmamente, quando vejo perto da tal curva, um carro parado e o condutor a ver um mapa. Segui, a pensar que ele tentava saber onde estava- não deveria ter ainda GPS ...
Olhei pelo espelho retrovisor e vi-o atrás de mim. Pensei que estava lá à minha espera e sorri com a minha própria palermice.
Continuei e ele seguiu-me no atalho que faço sempre. Depois, virou onde eu virei.
"Mau, mau," pensei.
Quando cheguei a casa, encostei logo ao portão do jardim e vi que ele parara também.
Curiosa, quis ver a cara do condutor e da sua acompanhante. Foi então que reconheci a minha cunhada e o meu irmão! Riam-se de mim! Tolos!
É a estrada das surpresas... umas bem melhores que outras!

Signo "Leão"

Nasceu o meu neto.

Sentia-se bem, porque não estava disposto a deixar o conforto da barriguinha da mamã. O médico deu mais uma semana de oportunidade à natureza para que o parto fosse natural, mas o maroto decidiu que aproveitaria enquanto pudesse.

Dia 30 de Julho, segunda-feira, pelas 18 horas, foi feita a cesariana e o Tomás viu a luz do dia na presença do papá.

Estava em casa, quando recebi o telefonema a avisar da sua chegada e corri a dar a novidade à Francisca. Esta, que andara todo o dia ansiosa, deu saltos de entusiasmo e mal pode esperar que a levasse à clínica para ver o irmão.

O pequeno rapazinho foi recebido com todas as praxes.
A mala ficara pronta no sábado e nela iam 4 mudas completas de fatinhos tamanho 0, em sacos individuais para facilitar o trabalho do papá na hora da escolha. Uma caixa branca levava duas xupetas previamente esterilizadas.

No primeiro dia, vestiu o fato que a irmã lhe escolheu, cor de laranja com bonecos.
Foi fotografado pelo pai e pelo avô. Foi visitado por muitos familiares.

Um nascimento normal, numa família normal.

No entanto, para nós, foi um acontecimento especial, um bebé lindo que enriqueceu a nossa família, uma benção que uniu duas famílias e criou laços definitivos entre elas, um garoto que crescerá sob o olhar terno e deliciado dos pais, prontos a dar a vida por ele.

Chegou, passou a fazer parte das nossas vidas de forma insubstituível e irreversível.

Trouxe consigo um monte de sentimentos nobres e profundos. Mal sabe que existe e já é tão importante, tão poderoso.

Ainda não tem cargos, nem títulos, mas já tem forma de se fazer obedecer, de ser o centro das atenções, de ser a razão de viver dos seus mais chegados.

Uma pequena vida que tem em si tanto, que tem em si tudo.

Pura magia, o ser. Golpe de sorte, o ter.

Terra, céu e mar...

Infante D. Henrique, olhando o seu mar e, quem sabe, suspirando pelas suas memórias...

S... de Silêncio, de Saudade, de Salvado da Silva

Depois que partiu, pai, muitas coisas aconteceram, muitas.
Sei que está atento a tudo o que se passa connosco, sinto que em muitos momentos está perto, mas o que eu queria mesmo era tê-lo aqui. Gostava de lhe mostrar o que consegui na vida, à força de lembrar repetidamente, quando o desânimo leva a melhor, as palavras que me dizia para me encorajar.
Mas antes, começaria por lhe pedir desculpa por não ter sido capaz de continuar o seu trabalho, de salvar a escola e de manter a quinta como um jardim. Eu tentei. Recomecei muitas vezes, mas não o fiz da forma certa. Não foi o suficiente.
Se andei em frente e elas ficaram para trás, foi a pensar que era isso que o pai desejaria para mim. Mas a minha alma continua a morar na nossa casa, a sonhar transformá-la em turismo rural, a voltar a plantar flores no jardim onde as rosas deixavam um perfume sem igual, a lanchar na varanda, a ver as estrelas no céu quando o sol se punha e ficava tudo em silêncio.
Continua lá, mesmo sem esquecer os dias de solidão, quando o temporal nos deixava sem electricidade e era a luz dos relâmpagos que iluminava a sala onde eu fazia as contas à vida, onde sentia mais do que nunca o desamparo e via morrer a esperança.
Continua lá, apesar dos dias de desânimo, de raiva e de impotência, em que assisti à agonia por envenenamento dos fiéis companheiros- Diana, Snoopy, Kid, Leão e Lassie, por crueldade de quem tinha conseguido fazer uma piscina e não os queria por ali a gozar o fresco da relva...
Até quando me roubaram os bens e desesperava na dor da perda, por não saber que apesar de ter ficado sem anéis e pulseiras, ainda tinha a coragem, a força e a vontade.
Continua a alma, mas não podia continuar o corpo, pois enquanto cá andamos temos que ganhar o nosso pão, temos que continuar a lutar- é o que repito para mim mesma na esperança do conformismo.
Então pus os pés a caminho e hoje queria mostrar-lhe, paizinho, onde cheguei.
Queria mostrar-lhe como cresceram os meus filhos e como são inteligentes e pessoas do bem. E a minha neta... pois é, o tempo passa! Imagino como iria adorá-la. É saudável, inteligente, simpática e muito engraçada. Vai ter um irmão e está toda contente. Sim, vou ser avó outra vez. Vai ser bisavô, de novo!
Também queria que conhecesse a minha casa. Não há dia nenhum que eu não pense como se admiraria de eu ter conseguido comprar a minha casa, sózinha, desde o contrato promessa, até à escritura.
Veria o pequeno jardim, onde tenho roseiras de todas as cores e tantas flores quantas as saudades que nelas vou matando. Já me disseram que não é um jardim, é um bosque.
Também vejo uma Serra em frente e da varanda conto estrelas nas noites sem luar.
É na estrada que mais sinto o pai por perto, que mais tenho a certeza de tão valiosa ajuda. Só isso já me conforta... O trânsito está difícil e podemos cumprir à risca o Código de que o pai era Mestre, que pouco adianta, pois há quem nada cumpra e ponha a vida dos outros em risco constantemente.
A Aldeia de Joanes, que o viu nascer e o acolheu na partida, está uma cidade. Os amigos que ainda não partiram, não se cansam de o lembrar com palavras afectuosas.
Quem me dera ouvir outra vez as suas gargalhadas. Eram um constante hino à alegria e à amizade. Estrondosas e cativantes.
Lembrei-me agora dum episódio com o Frederico:
-"Avô, estás a dormir?"
-"Não, estou a pensar"
-"Oh avô, mas fazes tanto barulho a pensar?"
Acho que o pai nem acredita como estou a escrever-lhe... num computador, no meu blog. É mais uma das modernices que agora todos têm. Eu, que sempre gostei de escrever, tenho nele uma grande ajuda e só penso como teria sido diferente se eu o já conhecesse quando era estudante e estava ainda a tempo para tanta coisa... Mas ocupo nele muito do meu tempo e fico menos só, menos infeliz, pois vou-me realizando ainda que à medida dos frutos temporões.
Tantas outras coisas que eu gostava de lhe mostrar... que eu gostava que o pai tivesse conhecido e aproveitado!
Questiono-me muito para onde vai a inteligência, a sensibilidade, os conhecimentos, o amor, daqueles que partem. Como pode acabar alguém que é tão importante para nós, mesmo depois de ter partido há tanto tempo? Só desejo que um dia eu mereça voltar a sentir o seu abraço tão quente, o seu olhar tão meigo e o seu amor sem condições.
Abençoado seja o dia 20 de Julho que o viu nascer e abençoados todos os dias em que pude tê-lo como pai- o melhor pai do Mundo.


free music
Pai

Não me perdoes, Pai – que ingrato sou!
Para remir a soberba em que me perco
Só por pecos garatujos me acerco
De quem por vida o verbo me doou

Tanto cantei o amor sem perceber
Que em todos os lugares e momentos
Jamais eu disse mais que os sentimentos
Que o teu sentir me deu a conhecer

Dos mundos, vidas, almas que me deste
Recusou-se a abrir mão esta memória
Temendo que ao usá-los os perdesse

Digo-te só que mais faria se tivesse
Engenho para plagiar a história
Que sem papel nem pena escreveste
.
*António Leal Salvado

"Teorias"

Vão desaparecendo certas "teorias" sobre grávidas e bebés, que as pessoas contavam na minha terra, plenamente convencidas daquilo que defendiam.
Quando uma grávida chegava, logo as outras mulheres se apressavam a adivinhar se estava à espera de rapaz ou de rapariga.
Umas diziam que era o feitio da barriga- redonda para rapariga, bicuda para rapaz.
Outras, adivinhavam o sexo do bebé pela cara da mãe- se tinha a boca inchada e a pele manchada, era menina. Se "estava bonita", era rapaz.
Outras faziam o jogo da agulha. Uma agulha com linha enfiada, fazia pêndulo na mão da futura mamã- se ficava parada (ou se movia em círculo, não sei bem), era menina. Se balançava em movimentos rectos, era rapaz...
Estas teses eram defendidas com ar convicto e diversos exemplos que comprovavam a infalibilidade.
O médico que me assistiu durante a gravidez dos meus filhos, Dr. Kirio Gomes, tinha uma teoria mais simples e acertava sempre.
Dizia à futura mamã que vinha lá um rapaz e escrevia na ficha- menina. Quando o bébé nascia, se a mãe o confrontava com o facto de se ter enganado, mostrava-lhe a ficha e pronto!
Nem se imaginavam os tempos em que basta fazer uma ecografia.
Quando o bébé tinha soluços, arrancavam um borboto da roupa, molhavam-no na boca e colavam-no na testa da pobre criatura! Não seria higiénico, mas resulta sempre, dizem.
Recomendavam que as grávidas não metessem botões, chaves ou outras coisas do género nos bolsos, junto à barriga, porque as crianças nasciam com as marcas desses objectos.
Entretanto as mulheres devem ter-se rebelado contra o "resguardo" de 40 dias depois do parto de um rapaz e 30 dias de uma menina. Era um período de tempo em que a mãe não saía da cama e só comia canja de galinha! Até nisso os rapazes tinham mais regalias!
Coitadas das mulheres que trabalhavam duramente até ao momento de darem à luz e no dia seguinte voltavam ao trabalho com o filho, que deitavam num cesto, aconchegado numa mantinha, debaixo de uma árvore, enquanto apanhavam as batatas ou tratavam das hortas e das vinhas. Dirão que é imaginação minha!
Para os bebés não fazerem hérnias umbilicais, quando choravam muito, punham uma moeda no umbigo.
Diziam também, que cortar o cabelo do bebé antes do ano de idade, fazia com se atrasassem na fala.
E outras coisas engraçadas, que estão a ficar esquecidas, como as consequências dos desejos da mamã.
Se à mãe lhe apetecia qualquer alimento que não comia, fosse qual fosse a razão, diziam que o bébé nascia com a boca aberta ou com os cabelos em pé.
Fui ao Fundão passar o dia de Todos os Santos, dia 1 de Novembro. A minha mãe tinha guardado uma melancia com cuidado, esperando que não apodrecesse antes de irmos lá. Era muito doce e eu comi umas quantas fatias.
Quando voltei para Lisboa, comecei a sentir-me enjoada e soube que estava grávida. Tinha sempre sede e só me lembrava da melancia do Fundão. Todos tentaram encontrar aquele fruto nos mercados ou nas casas de produtos especiais, mas não era época da melancia e eu não pude satisfazer o meu apetite.
O desejo era tão grande, que um dia vi em cima da cómoda alguma coisa que me pareceu ser uma fatia vermelhinha. Mostraram-me depois, um papel que amachucaram e deixaram ali esquecido...
Disseram logo que foi por isso que a Rita nasceu com o cabelo em pé!!!

A actriz


Tudo para a Francisca pode transformar-se em brincadeira "faz de conta".
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Fingir que chora, que espirra, que está a dormir, que coxeia, que ri em gargalhadas, que passeia o irmão no carrinho imaginário... tudo para ela é fácil!
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Decorar um texto ou uma poesia... é canja!
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A forma como fala, como gesticula, como se enfeita, como veste as personagens, fazem antever uma actriz, uma actriz que quer ser médica.
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Para a foto há sempre uma pose especial...
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free music

BIA


100 anos!


Parabéns a esta grande senhora, bisavó do Tomás, que tem a coragem de enfrentar a vida com tanto optimismo!

Festa da Francisca.


Francisca na festa do fim do ano lectivo 2006/2007, na 3ª classe, com 8 anos.

Tema: Os compositores clássicos.

"A radicalidade da música denuncia uma nova era. Surpreende-nos ainda como surpreendeu na estreia do bailado para a qual foi composta.

A sagração da primavera não foi uma das obras mais importantes deste compositor russo, nascido em 1882. Foi uma obra crucial que marcou o fim do predominio e da harmonia sobre o ritmo: Stravinsky é o seu nome".
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A Francisca diz este texto de cor e está triste porque não segurou na letra...

Rita

Depois da análise de laboratório (nessa altura ainda não havia análises "pronto a usar" à venda nas farmácias e supermercados), que me disseram ter de ser feita numa rã, soube que se confirmavam as minhas suspeitas- estava grávida.
Tinha casado em Maio, na Basílica de Fátima, com uma festa tradicional. Vestido de noiva, véu branco com muitos metros, 2 padres amigos a celebrar a cerimónia religiosa e almoço no Hotel Pax com a família e os amigos mais próximos.
Agora, 6 meses depois, sabia que esperava o meu primeiro bébé e estava confusa. Penso que quase todas as mulheres nas minhas condições (não falo nas que têm de fazer tratamentos e aguardam a gravidez com a incerteza de a conseguir) ficam preocupadas com essa notícia.
Sabemos que com o casamento vêm os filhos, vemos as outras com os ventres estofados e o andar pesado, mas não sabemos como vai ser connosco, o que vai mudar na nossa vida, como vamos passar por tudo até termos um filho no colo. Se fiquei entusiasmada com a novidade, também surgiram dezenas de interrogações, de medos, de angústias.
Estava-se grávida e pronto. Não se faziam exames ao feto, não se previam anomalias, não se sabia nada... nem o sexo do bébé tão pouco.
Os primeiros 3 meses enjoei tudo. Foi horrível. Também não me deram qualquer medicamento que ajudasse nesse ponto. Depois, comecei a ficar melhor, com fome de morrer e a barriga a lembrar-me que não estava doente...
Tinha acabado de fazer o enxoval de noiva e recomeçava com o do "crianço" que vinha a caminho.
Tive de fazer novas roupas para mim, pois a cintura foi a primeira a desaparecer e não havia roupa para grávidas no "pronto a vestir".
Comprava roupinhas brancas, amarelas, azuis e verdes. Não escolhia o rosa, pois podia ser um rapaz e depois não ficaria bem com a cor das meninas.
Comprei a alcofa, o carrinho, a caminha de grades e fiz colchinhas de renda e xalinhos de lã macia.
Vivia o período mais feliz da minha vida...
Era muito mimada pois vinha lá o primeiro filho, o primeiro neto, o primeiro sobrinho!
Eu sentia-me óptima e expunha a minha barriga, que ficava maior a cada dia e me deixava redonda como uma pipa, com muito orgulho. Parecia que só eu tinha conseguido aquela façanha.
Preparei-me para o parto com o curso "O parto psicoprofilático", a que também chamavam "O parto sem dor". Quem lhe deu este nome era homem, de certeza.
Por fim, fiz a mala, arranjei o cabelo e as unhas e fiquei à espera.
Depois de um fim de semana muito comprido, na 2ª feira, dia 17 de Julho, às 11,30 h da manhã, no Hospital Particular de Lisboa, chegou. Era uma menina.
Pesava 3,100 kg e media 49 cm. Tinha o nariz arrebitado e a carinha redonda como uma laranja.
Chorou ao nascer e mamou poucas horas depois.
Foi muito visitada no berçário, onde de nariz encostado ao vidro, toda a família a achava a criança mais linda do mundo. Tinha o cabelo preto, farto e em pé, espetado como se fosse de arame. Muitas vezes ouvi a frase "Tão linda, que pena ter assim o cabelo!"
Até a isso, todos achávamos graça.
O pai disse que ela tinha cara de Ritinha e eu concordei. Foi registada Rita, diminutivo de margarida, flor.
Ao quarto dia, tivemos alta, as duas. Regressámos a casa, o pai e eu, com o nosso maior tesouro na alcofinha e um enorme sorriso de felicidade. Eu tinha de novo uma boneca...
Ontem completou mais um aniversário e também ela, esperando um filho já nos últimos dias, tem a mala pronta para ir a qualquer momento para o Hospital. Só que já leva o enxoval em azul e já escolheu o nome para o meu neto- Tomás.

Parabéns Ritinha, continuas a ser a minha alegria, a minha vida.