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Tempo Diferente
No blog Tempo Diferente, onde reúno lembranças da minha infância, contei uma história que hoje me apeteceu deixar aqui.
Então aqui fica:
Então aqui fica:
"11/Fev/2008
As meias da Ti Maria
No Verão em que passei para o 7º ano do Liceu (agora 11º ano), tinha um grupo de amigos no Souto da Casa, uma aldeia muito bonita, na encosta norte da Serra da Gardunha, a meia dúzia de km do Fundão. Da aldeia vê-se toda a Cova da Beira, com a Serra da Estrela como moldura.
Como o nome diz, nas encostas estão alinhados como soldados, exércitos de castanheiros, formando soutos majestosos, que no Inverno têm múltiplos tons de amarelo, mostarda, tijolo e rubro, no Verão predominando os verdes e no Outono se enchem de ouriços prenhes de frutos castanhos, cor da terra que lhes deu o ser.
As meias da Ti Maria
No Verão em que passei para o 7º ano do Liceu (agora 11º ano), tinha um grupo de amigos no Souto da Casa, uma aldeia muito bonita, na encosta norte da Serra da Gardunha, a meia dúzia de km do Fundão. Da aldeia vê-se toda a Cova da Beira, com a Serra da Estrela como moldura.
Como o nome diz, nas encostas estão alinhados como soldados, exércitos de castanheiros, formando soutos majestosos, que no Inverno têm múltiplos tons de amarelo, mostarda, tijolo e rubro, no Verão predominando os verdes e no Outono se enchem de ouriços prenhes de frutos castanhos, cor da terra que lhes deu o ser.
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Foi lá que ouvi uma história a que achava muita graça.
Uma mulher muito pobre, como quase toda a população da Beira, nessa época, trabalhava no campo de sol a sol e regressava à tardinha a casa, em cima do seu burro, que a ajudava a carregar a lenha para o lume.
As mulheres, nessa altura, não saíam à rua sem meias, "com as pernas à mostra", como diziam. Usavam meias grossas, feitas de "fio da Escócia", que poupavam, por serem muito caras para usarem na lida do campo, onde se prendiam e rasgavam nas silvas. Nesse dia, vinha ela sentada no burro, com os pés nus e a saia só pela barriga das pernas, quando passou em frente da taberna, onde estavam os homens a gozar a fresca do fim da tarde.
Cansada, balouçava sonâmbula, a cada passo pesado do jumento.
Um dos homens gritou:
Foi lá que ouvi uma história a que achava muita graça.
Uma mulher muito pobre, como quase toda a população da Beira, nessa época, trabalhava no campo de sol a sol e regressava à tardinha a casa, em cima do seu burro, que a ajudava a carregar a lenha para o lume.
As mulheres, nessa altura, não saíam à rua sem meias, "com as pernas à mostra", como diziam. Usavam meias grossas, feitas de "fio da Escócia", que poupavam, por serem muito caras para usarem na lida do campo, onde se prendiam e rasgavam nas silvas. Nesse dia, vinha ela sentada no burro, com os pés nus e a saia só pela barriga das pernas, quando passou em frente da taberna, onde estavam os homens a gozar a fresca do fim da tarde.
Cansada, balouçava sonâmbula, a cada passo pesado do jumento.
Um dos homens gritou:
- Eh Ti Maria, essas meias é que são boas, não se rompem!
Ela respondeu, sem se desconcertar:
Ela respondeu, sem se desconcertar:
- Está vomecê muito enganado. Tenho uma camisa do mesmo pano e já tem um buraco ao fundo das costas."
Dia da árvore.
Hoje é o dia da árvore.
Da árvore que pede socorro, que grita por ajuda.
Esquecemos o quanto dependemos dela para viver.
É o oxigénio que respiramos, a chuva que nos traz alimento, a sombra que nos conforta, os frutos que nos deliciam, a madeira que nos serve, a beleza que nos inspira.
É âncora, tecto, leito, equilíbrio.
Lutar para salvar a Natureza é lutar para nos salvarmos.
O fogo, o desmatamento, todos os abusos, por maldade ou ganância, ferem a cada minuto a Natureza. Proteger a árvore, é proteger os nossos filhos, os nossos netos.
Quis uma árvore para adoptar.
Gosto de todas, de todas mesmo, mas uma das minhas preferidas é o Castanheiro. Acho-o uma árvore imponente e muito bela. Quando se veste de flor, é luxuosa. Quando se enche de frutos, é exótica. Quando se despe da folhagem, etérea. Quando morre, magestosa.
Mas as suas raízes são fortes como braços e poderiam estragar a casa.
Depois pensei na Oliveira, maternal e eterna (em Israel há Oliveiras com 2500 anos). Também rondei a Laranjeira, por ser muito delicada e perfumada, o Eucalipto, elegante como um jovem cavaleiro, a belíssima Cameleira, a generosa Cerejeira, a carismática Ginkgo biloba.

Esquecemos o quanto dependemos dela para viver.
É o oxigénio que respiramos, a chuva que nos traz alimento, a sombra que nos conforta, os frutos que nos deliciam, a madeira que nos serve, a beleza que nos inspira.
É âncora, tecto, leito, equilíbrio.
Lutar para salvar a Natureza é lutar para nos salvarmos.
O fogo, o desmatamento, todos os abusos, por maldade ou ganância, ferem a cada minuto a Natureza. Proteger a árvore, é proteger os nossos filhos, os nossos netos.
Quis uma árvore para adoptar.
Gosto de todas, de todas mesmo, mas uma das minhas preferidas é o Castanheiro. Acho-o uma árvore imponente e muito bela. Quando se veste de flor, é luxuosa. Quando se enche de frutos, é exótica. Quando se despe da folhagem, etérea. Quando morre, magestosa.
Mas as suas raízes são fortes como braços e poderiam estragar a casa.
Depois pensei na Oliveira, maternal e eterna (em Israel há Oliveiras com 2500 anos). Também rondei a Laranjeira, por ser muito delicada e perfumada, o Eucalipto, elegante como um jovem cavaleiro, a belíssima Cameleira, a generosa Cerejeira, a carismática Ginkgo biloba.

Por fim, resolvi adoptar a Ginkgo, árvore japonesa, alta e esguia, que toma 2 tonalidades distintas no Verão e no Outono.
A sua folha bilobada é subtil e resistente ao mesmo tempo.
Dizem que foi a primeira árvore da Terra e que existe há mais de 2 milhões de anos. Por isso é chamada de fóssil vivo.
É muito usada como medicamento para a memória, por facilitar a oxigenação do cérebro. É um bom vaso-dilatador e antioxidante.
É muito usada como medicamento para a memória, por facilitar a oxigenação do cérebro. É um bom vaso-dilatador e antioxidante.
Significa paz e longevidade por ter sido a única a renascer em Hiroshima depois da bomba atómica.
A sua casca rugosa tem dois tons de cinza, um mais escuro e outro mais claro na parte mais exposta ao Sol. O fruto pequeno, surge em molhos como as cerejas, é prateado, tomando os tons esverdeados da árvore.
Plantei-a no meu pequeno jardim há 5 anos e todos os Verões alberga dois ninhos, que pequenos passaritos reconstroem para esperar os seus filhotes.
Plantei-a no meu pequeno jardim há 5 anos e todos os Verões alberga dois ninhos, que pequenos passaritos reconstroem para esperar os seus filhotes.
Não sei se fui eu que a adoptei, se foi ela que me adoptou a mim, velando pela minha casa serenamente.
Tenho veneração por ela.
No dia da árvore desejo que muitas sejam plantadas, poucas cortadas e todas, todas respeitadas como braços da Natureza e nossas aliadas.
Primavera
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"Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem"
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.Sophia de Mello Breyner Andresen
Será bem...

“O coração, se pudesse pensar, pararia”
“ Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos campos que componho enquanto espero.
Para todos nós chegará a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.”
Do Livro do Desassossego – Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa)
Um pensamento
Hoje gostava de poder dizer-lhe como foi importante para mim... como é importante para mim.
Poder ir comprar um presente, um simples objecto que confirmasse, se isso fosse necessário, que não esqueci este dia. Procuraria uma das coisas que nos últimos meses tivesse notado que desejava e voltaria para casa toda contente só de imaginar a sua surpresa e o seu sorriso de satisfação.
Se não pudessemos estar juntos, sentir o seu abraço forte e doce ao mesmo tempo, ver os seus olhos claros e meigos brilharem de alegria, pelo menos ouviria a sua voz nas palavras que me enchiam de mimo, mas também de força para enfrentar este mundo e o outro.
Mas quem trazemos no coração, ouve tudo o que as palavras ainda não disseram, sente tudo o que os gestos ainda não mostraram.
Poder ir comprar um presente, um simples objecto que confirmasse, se isso fosse necessário, que não esqueci este dia. Procuraria uma das coisas que nos últimos meses tivesse notado que desejava e voltaria para casa toda contente só de imaginar a sua surpresa e o seu sorriso de satisfação.
Se não pudessemos estar juntos, sentir o seu abraço forte e doce ao mesmo tempo, ver os seus olhos claros e meigos brilharem de alegria, pelo menos ouviria a sua voz nas palavras que me enchiam de mimo, mas também de força para enfrentar este mundo e o outro.
Mas quem trazemos no coração, ouve tudo o que as palavras ainda não disseram, sente tudo o que os gestos ainda não mostraram.
Sabe que continua a ser o meu mestre, a minha inspiração.
A ausência fere e as saudades magoam demais.
Muitas vezes revolto-me por estar a sofrer e não o ter por perto para desabafar, para encontrar a razão que penso ter e que se recusam a dar-me, para ouvir aquelas frases tão sábias que sempre me dizia nos momentos complicados e tinham o dom de me esclarecer, de me fortalecer, de iluminar toda a minha vida num segundo.
Quando me saio bem, sim, quando me saio bem penso logo nos momentos em que dividiamos o entusiasmo, a alegria e em que fazia parte do meu triunfo, o seu sorriso.
A ausência fere e as saudades magoam demais.
Muitas vezes revolto-me por estar a sofrer e não o ter por perto para desabafar, para encontrar a razão que penso ter e que se recusam a dar-me, para ouvir aquelas frases tão sábias que sempre me dizia nos momentos complicados e tinham o dom de me esclarecer, de me fortalecer, de iluminar toda a minha vida num segundo.
Quando me saio bem, sim, quando me saio bem penso logo nos momentos em que dividiamos o entusiasmo, a alegria e em que fazia parte do meu triunfo, o seu sorriso.
Evitava ir contra a sua forma de pensar para não o desapontar e esforçava-me em dobro numa tarefa, para o ver orgulhoso.
Apesar de toda esta distância, estes céus, mares e firmamentos, continua a ser assim.
A sua lembrança está viva e a esperança de o voltar a abraçar dá-me conforto e alento.
Apesar de toda esta distância, estes céus, mares e firmamentos, continua a ser assim.
A sua lembrança está viva e a esperança de o voltar a abraçar dá-me conforto e alento.
Gostava de poder explicar como me encheu a alma encontrar, cuidadosamente guardado como se fosse jóia preciosa, um poema que lhe fizera ainda muito jovem, num dia como o de hoje.
Aquele papel amarelo e frágil, na sua insignificância, continha o maior significado de amor do mundo. O amor de quem fez o pequeno poema e o amor de quem o recebeu e guardou.
Hoje não tenho um presente, nem escrevi um poema, mas lembrei-me de transcrever uma poetisa que soube encontar as palavras onde todos os nossos sentimentos cabem - Sophia de Mello Breyner.
Hoje não tenho um presente, nem escrevi um poema, mas lembrei-me de transcrever uma poetisa que soube encontar as palavras onde todos os nossos sentimentos cabem - Sophia de Mello Breyner.
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"Céu, terra, eternidade das paisagens,
Indiferentes ante o rumor leve,
Que nós sempre lhes somos. Vento breve,
Heróis e deuses, trágicas passagens,
Cuja tragédia mesma nada inscreve
Na perfeição completa das imagens.
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Todo o nosso tumulto é menos forte
Do que o eterno perfil de uma montanha.
Cala-se a terra ao nosso amor estranha
-Talvez um dia embale a nossa morte."
Hoje é o dia de S. José, o dia do pai, o dia de todos os pais. Eu tive a benção de o ter, meu pai.
Todo o meu imenso amor para si, paizinho.
Prémio
Amor de sempre

Um dia destes fui às compras e antes de entrar no supermercado, fui espreitar as novidades na livraria.
Andava às voltas entre o expositor dos livros no top e o dos livros de teatro e poesia, quando reparei num rapaz que acabava de entrar.
Penso que não teria 20 anos ainda, alto, magro, vestindo roupa simples e com postura normal de um jovem.
Como os livros que eu procurava se encontravam nas duas prateleiras de baixo, da mais estreita e mal situada estante da loja, já praticamente atrás do balcão, eu era obrigada a ler os títulos quase de cócoras e a interromper constantemente a pesquisa com o "dê-me licença" do empregado.
Assim, entre o dar a licença e o esperar que o empregado passasse, reparei no tal rapaz, que parou a ver os títulos em destaque, depois olhou para o topo das prateleiras (gesto que eu também faço para ler os temas de cada estante) e encaminhou-se para a secção onde eu me encontrava.
Admirava-me quando via que os jovens gastam dinheiro em tudo menos num livro. Raramente encontro um rapaz ou uma rapariga numa livraria.
É mais fácil ver crianças sentadas no chão de volta dos livros que lhes são destinados, enquanto os pais fazem as compras, do que ver os jovens entrar senão para a secção de dvd e jogos de computador.
Hoje, porém, já começo a estranhar mais o facto de eles gostarem de ler e por isso fiquei espantada quando ele passou imenso tempo a folhear os livros de poesia.
Como havia tão pouca oferta, acabou por desistir e passar aos autores portugueses.
Tirava um livro com cuidado, abria-o com carinho e voltava a colocá-lo da mesma forma. Por fim, pegou num livro e dirigiu-se ao balcão. Era uma obra de Aquilino Ribeiro.
Quando foi pagar, o empregado perguntou-lhe se era para oferta e ele respondeu que não.
Saiu da livraria e quando o voltei a olhar através da montra, vi-o parar a apreciar o livro que tirara do saco, mal passara a porta.
Lembrei-me de como eu era quando tinha a sua idade. O meu gosto pela leitura, o meu amor pelos livros, o desgosto que sentia se alguém lhes dobrava uma página ou riscava a capa, a paixão pela escrita, a preferência pelas livrarias.
O livro em si, encanta-me. Numa livraria há sempre um que me escolhe, que se agarra a mim, que me chama, que me deixa saudades, se não o posso comprar.
Nada disto me foi incutido pela família ou pelos professores. Nasceu comigo e nunca esmoreceu. No meu pensamento está sempre qualquer coisa relacionada com a escrita e com os livros.
Tenho pena de não ser capaz de fazer com as letras o que aprecio em tantas obras, mas mesmo assim, esta é a minha vida - amá-las e apreciar aqueles que fazem coisas tão belas com elas.
É a minha vida.
Prémio
Escolhi um blog a premiar.
Gosto de muitos, mas depois de algumas voltas pelos que mais leio, resolvi premiar uma jovem muito sensível e divertida.
A autora de "Mente Flutuante" já recebeu muitos, mas acho que este que escolhi para ela, é o que mais a define.
"Mente Flutuante" é um blog fresco, alegre, tem uma escrita clara, perfeita e apaixonante.
Acho que todos vão concordar comigo.
Ela é merecedora.
Carnaval

Para mim não houve Carnaval... nem em Veneza, nem no Rio, nem em Torres Vedras!
Não me atiraram pacotes de farinha, nem me deram bisnagadas de água fria. Não detonaram estalinhos nas minhas pernas, nem rebentaram bombinhas de mau cheiro na minha sala.
Não dancei o samba, nem desfilei em fio dental. Não me vesti de homem com farto bigode, nem de odalisca a dançar a dança do ventre. Não fui Careto, nem rodopiei com sombrinha ao som do frevo. Não me pintei de palhaço, nem me mascarei de matrafona com grandes airbags. Não me embebedei, não suei as estopinhas a desfilar no meio de multidões eufóricas, não fiquei rouca de gritar, só por ser Carnaval!
Não ouvi os "Vapôres do Rego", nem a Ivete Sangalo.
Não andei de bar em bar até de madrugada, a rir-me para quem não conheço e a ser abraçada por quem nunca vi mais magro!
Deitei-me cedo na minha cama, de pijama, consciente e sem ajuda!
Realmente o meu Carnaval foi uma pasmaceira!
Penso que foi para compensar o Carnaval em que vivo e começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina no Domingo de Entrudo. Estou sempre no contra...
Dia dos namorados

Passou o dia dos namorados e eu sem um minuto para me sentar aqui e escrever.
Passou o dia e o romantismo lá se foi com a folha do calendário.
Também para muitos dos "enamorados" que amanheceram no dia de S. Valentim com o ramo das flores atrás das costas, o dia seguinte trouxe a rotina já conhecida e instalada.
Claro que não é regra geral... há os que vivem mesmo um amor eterno ("enquanto dura", disse o poeta).
No entanto, as setas de Cupido passaram indiferentes por muitos solitários, não os ajudando a mudar a sua condição.
O anjinho gordinho e sorridente terá feito de propósito, fingindo-se trémulo na hora de disparar e depois de errar o alvo, saindo a rir de forma descarada, deixando os solteirões inconsoláveis.
Outros houve (isto na vida tem de haver de tudo, para ser giro!) que deram mais do que um presente. Não, não foi à mesma pessoa...
E ainda quem desse um presente e uma desculpa "não podemos gastar dinheiro, temos a nossa casa para pagar. Um beijinho chega". Não, também não foi à mesma pessoa...
Houve concurso de namorados a beijaram-se em público. Somaram 40.000. Não, não foram beijos... foram pares!Corações, muitos corações, nas flores, nos ursinhos felpudos, nos bombons, nas cuequinhas, boxers e t-shirts.
Jantares fora, fins de semana fora, surpresas aos montes, tudo muito romântico, muito doce!
Cupido esteve muito ocupado e como sempre, lá foi trocando os alvos de vez em quando. Mas isso também é giro!
No dia seguinte pousa o arco e as flechas, suspira de alívio e... até ele deixa de ser romântico e prefere jogar na playstation!
O sorriso da Natureza

"Fevereiro quente, traz o diabo no ventre", dizia-me este fim de semana uma senhora amiga da minha mãe.
Apesar de achar que é cedo para este calor e de saber o significado deste dito popular, é óptimo sentir a chegada da Primavera.
As roseiras estão cheias de rebentos e já precisei de regar os vasos mais pequenos, embora tenha chovido dias a fio.
O Sol traz-me energia e dá-me forças que pensava perdidas para sempre.É a Natureza que se vai renovando com o passar dos dias e nos vai renovando também.
No Inverno a Natureza descansa, dormita no sofá, para voltar na Primavera com cor, luz e força.
Nestes dias, ela abriu um dos olhos, espreguiçou-se e deitou-nos um olhar acompanhado com o seu sorriso mais bonito. Voltará a adormecer mais um mesito, talvez.
Ainda virão dias frios, talvez até voltemos a espirrar e a tossir, mas para já aproveitemos este grande sorriso que a Natureza nos dá.
O que vale a Vida?
Para ser, tenho que sonhar.
Quando planto uma flor no meu quintal, ela cresce, desabrocha, enche o canteiro de cor e perfume, fazendo-me feliz.
Penso muitas vezes nisto, pois acho que faço mais do que conseguir o meu objectivo - fazer florir o pé que plantara, saindo vitoriosa na tarefa a que me propusera.
Ajudo também a própria planta a cumprir o seu destino, florindo e deitando sementes na terra, que darão lugar a mais flores, mais cor e mais perfume.
E se vejo alguém parar e apreciar o meu jardim, acho que renovo o bem estar dos que me cercam e podem beneficiar da beleza que resultou do meu gesto e da vitória da própria planta, que enraizou e floresceu.
É nisso que tenho de pensar. É no que a minha alegria pode beneficiar os outros, no que o meu prazer pode ajudar quem sofre, no que o meu esforço pelo equilibrio pode manter à minha volta tudo mais harmonioso.
Sempre gostei de rir e já nem sei quando isso aconteceu comigo a última vez.
Sempre plantei flores e as acarinhei para que a seu tempo cumprissem com a missão de alegrar a minha vida e a de quem as pode apreciar como eu.
No entanto, tenho gasto os meus dias a pensar e repensar nos que me colhem as flores, as partem e pisam, nos seus actos pouco belos, pouco justos, pouco dignos, revoltando-me por vê-los vitoriosos, apesar disso.
No meu desespero esqueço o meu jardim. Nele ainda há camélias lindas e já crescem as hastes que vão dar orquídeas.
As roseiras e as hortenses foram podadas, mas começam a rejuvenescer nos seus rebentos tão frágeis e graciosos. As Magnólias começam a sorrir também.
Os malmequeres que floriram todo o Verão, descansaram um pouco e já voltam a encher o vaso de rama de vários verdes e botões tímidos, mas decididos.
Um novo hóspede tem sido o alvo das atenções - um lírio roxo.
Para tecer, tenho que fiar. Para colher, tenho que plantar. Para ter, tenho que cuidar. Para ser, tenho que sonhar.A maldade tem-me desviado do meu caminho, entristecendo a minha alma.
Quero voltar a ler, a escrever, a bordar e a jardinar.
É nisso que eu me sinto na minha pele. A mentira, a arrogância e a vaidade não são da minha família. Nem minhas vizinhas...
Aversão

Mal me aproximo de ti sinto um peso na alma que não sei donde vem.
Perco a alegria, o gosto de rir ou sorrir. Fica só o mal-estar e a desconfiança.
Uma aura negativa paira à tua volta.
O teu tom afável é falso, frio, funesto, causa arrepios.
O teu olhar transmite sempre reprovação, crítica, censura, deixando–nos com a sensação que cometemos uma falta grave, que o mal está em nós.
A maldade que revelas nas poucas palavras que proferes, nos sorrisos trocistas que trocas com quem te bajula, arrasta-se atrás de ti, como um manto negro e sombrio.
Pareces um soberano que olha de cima os seus súbditos, considerando-se benemérito ao dar-lhes a oportunidade de o verem, de lhe falarem, de se aproximarem, ainda que só num cumprimento de cabeça. Será que pensas que a vida muda só para os outros? Que a sorte te bafejará sempre?
Perco a alegria, o gosto de rir ou sorrir. Fica só o mal-estar e a desconfiança.
Uma aura negativa paira à tua volta.
O teu tom afável é falso, frio, funesto, causa arrepios.
O teu olhar transmite sempre reprovação, crítica, censura, deixando–nos com a sensação que cometemos uma falta grave, que o mal está em nós.
A maldade que revelas nas poucas palavras que proferes, nos sorrisos trocistas que trocas com quem te bajula, arrasta-se atrás de ti, como um manto negro e sombrio.
Pareces um soberano que olha de cima os seus súbditos, considerando-se benemérito ao dar-lhes a oportunidade de o verem, de lhe falarem, de se aproximarem, ainda que só num cumprimento de cabeça. Será que pensas que a vida muda só para os outros? Que a sorte te bafejará sempre?
Todos te sorriem, mas temem os teus poderes malignos. Afastam-se na primeira oportunidade.
Eu aconchego a gola do casaco, sinto-me gelar.
Toda a força se esvai, enquanto estás por perto.
Consegues reunir num só olhar, numa só palavra que sussurres, a vaidade, a inveja, a prepotência, a ignorância, a ameaça e a vingança que podem caber num ser humano.
À tua volta, tudo seca.
Eu aconchego a gola do casaco, sinto-me gelar.
Toda a força se esvai, enquanto estás por perto.
Consegues reunir num só olhar, numa só palavra que sussurres, a vaidade, a inveja, a prepotência, a ignorância, a ameaça e a vingança que podem caber num ser humano.
À tua volta, tudo seca.
Cruzo os dedos por instinto.
Sabedoria
Boas notícias.
Vi hoje nas notícias da TV o Presidente da República Portuguesa, sentado no seu gabinete de trabalho, frente ao computador portátil, a explicar ao jornalista que o entrevistava, como trata os dados que lhe chegam todos os dias através do site "Presidência", em especial as respostas que dá às perguntas que os cidadãos lhe fazem directamente através desse espaço.
Lembro-me dos tempos em que isso era impensável e desejo ardentemente que seja verdade e para sempre.
Podermos chegar a quem nos governa, sem medo que não goste das nossas palavras e nos mande a polícia casa adentro, a meio da noite. Isso é mesmo democracia.
Fiquei pensativa!
Quem tem algum poder, não gosta de ouvir palavras que possam ser ou apenas parecer crítica.
Para o homem crescer, tem de ter liberdade.
Liberdade de expressão, neste caso.
Surpresa!
Para minha grande surpresa recebi hoje dois prémios do blog Amor: "Sendo assim, vou nomear o Rafeiro Perfumado, Palavras em Desalinho, Miss Sixty, Robe de Soir e Navegando" e aí está o selo que comprova. Lindo!
Bem-Hajas.
E o outro, lá vem ele... 31 Janeiro 2009

"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, étnicos, literários, pessoais, etc. Que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."
Não conheço bem as regras ainda, mas penso que tenho de nomear um blog que eu sinta merecer este prémio. Eu gosto de muitos e claro que escolherei os que acho mais criativos.
Quero ver com atenção e nomear com convicção.
Fico ainda na dúvida se ganhei mesmo os prémios, ou se apenas fui nomeada. Entretanto descobrirei essas maravilhas que me chegam todos os dias pelos meus amigos virtuais.
Para já fica o meu agradecimento ao amigo que me escolheu.
O sexo do saber!
Joana Carneiro, a maestrina.
Com uma profissão em que os homens eram os únicos, Joana sobressai, apesar da sua idade e do seu sexo.
Sentada na plateia a assistir a um concerto, perguntaram-lhe o que fazia.
Quando respondeu, ouviu o comentário:- "Mas essa não é profissão de uma esposa!"
Dirigir uma orquestra não era profissão de mulheres, como não era a medicina, a magistratura ou a condutora de taxis.
Joana Carneiro, além de maestrina, já é considerada muito importante.
O saber deixou de ser característica do sexo masculino, definitivamente!
Com uma profissão em que os homens eram os únicos, Joana sobressai, apesar da sua idade e do seu sexo.
Sentada na plateia a assistir a um concerto, perguntaram-lhe o que fazia.
Quando respondeu, ouviu o comentário:- "Mas essa não é profissão de uma esposa!"
Dirigir uma orquestra não era profissão de mulheres, como não era a medicina, a magistratura ou a condutora de taxis.
Joana Carneiro, além de maestrina, já é considerada muito importante.
O saber deixou de ser característica do sexo masculino, definitivamente!
Silêncio
Deus é amigo do silêncio.
As árvores, as flores e as ervas crescem em silêncio.
Olhem como as estrelas, a Lua e o Sol convivem em silêncio!
Madre Teresa
As árvores, as flores e as ervas crescem em silêncio.
Olhem como as estrelas, a Lua e o Sol convivem em silêncio!
Madre Teresa
Saber
"Terra pequena nunca fez homem grande", diziam na Beira quando eu era pequena.
Nasceram muitos homens grandes em terras bem pequenas, mas não chegaram a grandes ficando por lá. As oportunidades estavam nas grandes cidades.
Para estudar era preciso ir para as cidades e ter dinheiro para poder fazer fase às grandes despesas que isso implicava. Quem tinha dinheiro... continuava, quem não tinha... ia para a serra com os rebanhos, ou para as oficinas aprender uma profissão.
Claro que depois diziam que uns eram inteligentes e os outros não o eram.
Isso tudo acontecia nas aldeias e vilas de Portugal do interior, onde não havia transportes capazes, onde não havia indústria e como tal, as pessoas viviam dos pequenos pedaços de terreno que cultivavam e que lhes assegurava pouco mais do que a panela da sopa diária.
Vendiam o leite de uma vaca que cuidavam como se fosse gente e os queijos do leite que tiravam às ovelhas do rebanho a que não faltavam com a ração, mesmo que não houvesse fartura na mesa para a família.
Vendiam as couves, os espigos e as alfaces, as batatas, as cebolas e as cenouras, que cultivavam na horta atrás da casa.
Faziam o vinho da meia dúzia de videiras, que faziam latada em frente da casa, onde nas noites abafadas de Verão tomavam a fresca no fim de um dia de estafa ao Sol.
As crianças, antes de irem para a escola, ajudavam a tratar dos animais e à tarde, quando regressavam a pé, iam recolher as folhas velhas das couves, os saramagos e outras verduras para alimentarem de novo os coelhos, as galinhas, os patos mudos e os porcos.
Aprender mais do que a ler e a escrever, era um luxo.
Não havia TV, nem se ia ao cinema, à biblioteca e não havia tempo sequer para se ouvir rádio.
Cantava-se no campo enquanto se regava a horta ou se mondava o milho.
Bebia-se um copo na taberna onde ao domingo se ouvia o relato do futebol.
Isto tudo parece que foi há muitos anos atrás, séculos talvez, mas não!
Quem assim vivia, está vivo e tenta adaptar-se aos tempos modernos em que se compram as batatas pré-fritas, os pratos já cozinhados e congelados, em que não se pode fazer o fumeiro, porque as chouriças e as morcelas têm de ter um selo de garantia, em que os filhos estudam o que querem, mal fazem 18 anos "tiram a carta" e fazem férias em terras em que se fala uma língua desconhecida.
Nasceu em terras da Beira, Eugénio de Andrade, mas muito cedo foi para Lisboa.
O mesmo terá acontecido com Miguel Torga, Ferreira de Castro, Aquilino Ribeiro, etc.
Então eu corrijo: Terra sem instrução, não faz homem grande.
Ufa!
Ainda uma mensagem de Natal
S.
Tantas coisas más que passámos.Tantas horas dolorosas, intermináveis, em que a esperança parecia ter-nos abandonado paa sempre.
Tantas revoltas combatidas, vencidas e renascidas.
Tantos nãos. Tantos nuncas. Tantos nadas. Tantas incertezas. Tantos desesperos. Tantas desistências.
Mas os homens bons renascem todos os dias na força, na vontade, na tentativa, na luta, na aceitação, na recusa, na escolha, na doação.
O S. já renasceu mil vezes e continuará a fazê-lo, porque tem à sua espera a vida que foi adiando durante muitos anos.
Força. Bom Natal.
(A Magia do Teatro- mensagem para alguém que conseguiu livrar-se duma escravatura e encontrar, no fim de 25 anos, talento para estudar, fazer teatro e retomar o sonho)
Olhar no espelho
Todos começam 2009 a cumprimentar os familiares e amigos, desejando-lhes um Bom Ano Novo.
Acredito que a maioria é sincera. Mas estou certa que muitos o farão por simples cortesia, utilizando a frase feita, sem pensar, porque é costume, porque faz parte.
E até me resigno com essa ideia, mas fico sempre a pensar.
Desejam que todos sejam felizes, mas ficam-se por isso mesmo, por formular mecanicamente a frase, esperando que só pelo facto de recomeçar a contagem do ano, das estações, dos solestícios e equinócios, das luas cheias e novas, a felicidade chegue e os males acabem.
Eu, incluída.
Embora pense nos sem abrigo, nestas noites tão frias, nunca saí a levar um cobertor a um deles.
Embora me lembre dos doentes internados longe das suas casas, os que são submetidos a tratamentos dolorosos ou que estejam sem forças, sem alegria, sem esperança, nunca visitei nenhum, nestes dias de festa.
Mesmo sabendo que há crianças que sofrem com fome, frio, desamparo e agressões de toda a ordem, nunca socorri, alimentei, amparei ou protegi, senão os meus.
Conhecendo lares de idosos não distantes de onde vivo, nunca minorei a solidão dos que passam os dias todos iguais, nunca lhes ofereci a minha atenção, nunca me dispûs a ouvir as suas histórias, a adoçar-lhes a boca com um caramelo, a escolher uma música alegre para os distrair, a levá-los no meu carro a passear pela rua das montras para verem as luzes de Natal, a ver o mar numa tarde menos cinzenta, a fazê-los rir com uma anedota maliciosa.
Sei que há quem sofra violência doméstica, na maior angústia da vergonha, do silêncio e da revolta, que há quem tenha perdido o emprego e com ele a esperança e a alegria, quem esteja dependente de escravaturas veladas, como a incapacidade de se libertar de um amor frustrante, de uma ligação humilhante, de uma dependência que lhes nega a dignidade e a auto estima, mas nunca me lembro de pedir por eles nas minhas orações.
Ano Novo, para quem? Ano Novo porquê? Novo em quê?
Entre os meus livros, filmes e discos, nas minhas idas ao café, ao supermercado, ao cinema, nas minhas comodidades, sempre tão presentes que nem lhes noto a existência, na banalidade de rodar o botão para ter água quente, para acender a luz, ligar o aquecimento, que nem me lembro do incómodo que seria se não funcionassem, no colocar comida no prato em gesto habitual, no deitar na cama macia, sem novidade, esqueço o que não sofro, ignoro o não me falta, desprezo o que me provoca desconforto.
Aborrece-me o condutor da frente que pára o trânsito sem razão, o vizinho que chega tarde a casa e faz barulho, a chuva que cai há 3 dias, os 80 canais da TV que transmitem o que não me apetece ver.
Bom Ano, desejamos aos outros, continuando a pensar apenas em nós.
Melhor seria que passássemos a dizer: " Bom Ano para mim"
2009, a data.
O tempo caminha sem se deter a olhar a paisagem.
Ainda há pouco estava calor e os dias eram grandes, não porque tivessem mais horas, mas porque o Sol se deitava no horizonte bem depois da hora de jantar.
Ainda há pouco o jardim estava cheio de folhagem verde e flores de todas as cores.
Logo passou a anoitecer mais cedo, a saber bem um casaco e as folhas das roseiras a cairem junto ao seu tronco, na terra macia.
Depressa se ouviu falar em Natal e muito se fez em seu nome.
Iluminações, enfeites, doces, compras, reuniões e votos.
Ano Novo, Ano Novo.
Fogo de artifício e champanhe.
E eis que recomeço o trabalho escrevendo Janeiro de 2009.
Só isso mudou para mim... a data, que escrevo antes da assinatura.
Ainda há pouco estava calor e os dias eram grandes, não porque tivessem mais horas, mas porque o Sol se deitava no horizonte bem depois da hora de jantar.
Ainda há pouco o jardim estava cheio de folhagem verde e flores de todas as cores.
Logo passou a anoitecer mais cedo, a saber bem um casaco e as folhas das roseiras a cairem junto ao seu tronco, na terra macia.
Depressa se ouviu falar em Natal e muito se fez em seu nome.
Iluminações, enfeites, doces, compras, reuniões e votos.
Ano Novo, Ano Novo.
Fogo de artifício e champanhe.
E eis que recomeço o trabalho escrevendo Janeiro de 2009.
Só isso mudou para mim... a data, que escrevo antes da assinatura.
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